domingo, 30 de dezembro de 2007

Dry Leaves

Escrito em 2006, marcou 2007 e ainda renderá alegrias em 2008!
A famosa HQ que foi para os EUA, no meio de uma aula da Lourdes saiu sem querer um extra da vida da Jasmine.


Jasmine era uma garota triste. Ou pelo menos estava triste no momento em que a conheci e no dia que nos encontramos em um restaurante.
Sempre me dizem coisas tristes que aconteciam com ela. Não sabia se eram realmente verdade, mas era o que eu sabia dela.
Aquele almoço no restaurante mudou um pouco minha visão sobre ela. Nos encontramos na entrada e decidimos nos sentar juntos, já que, até aquele momento, estávamos sozinhos.
Ela me contou sobre a vida atual dela, o que encara e o que faz. Uma garota simpática, forte, meiga e trabalhadora. Suas dores foram dificilmente superadas com a ajuda de apenas um amigo.
-Ele me mostrou os lugares mais lindos... -dizia ela melancólica- ele foi o primeiro que me amou. Até agora o único que me fez feliz.
-Você ainda tem muita gente pra conhecer, mesmo que hoje a maioria te deixe triste -tentei animá-la.
-A maioria? -disse irônica mastigando a batata- Todos! Todos me odeiam. Ninguém pergunta se está tudo bem, ninguém me consola, ninguém me ouve...
-E o que eu estou fazendo? -perguntei logo em seguida.
Ela se calou. Engoliu a batata e me olhou assustada. Apertou os olhos e depois sorriu.
-Você é diferente -respondeu confusa-, você... eu mal conheço você. E você mal me conhece.
-Sei tantas coisas de você que nem imagina -dizia com receio de que ela não gostasse dessa informação-, tudo o que eu tive que escutar, histórias trágicas que supostamente você não gosta de lembrar.
-E porque me ouviu por tanto tempo se sabia de tudo? -retrucou no mesmo tom que o meu.
-Eu sabia a opinião dos outros-tentei olhar para a comida-, mas não a tua verdade.
Ela tomou um gole do suco e eu fiz o mesmo.
-Dá pra notar que você é realmente diferente -disse com um sorriso, aquilo foi animador-. Muita gente acha que eu me perdi, que eu sou doida... por não ter amigos e enfrentar tudo isso. Muitos acreditam nessas simples histórias. E eu acabo me tonando um mistério.
-É o que eles veêm -eu disse-. O que você vê de si mesma?
Ela olhou para a alface, espetou com o garfo e encarou a verdade.
-Uma garota solitária -disse com aquele timbre melancólico-, que a última pior coisa que aconteceu em sua vida, superou sozinha. Mas neste exato momento, eu vejo essa garota não tão solitária.
Colocou a alface na boca e a mastigou. Enquanto ela falava eu mastigava suas palavras e o meu almoço. Engolia minha comida, mas guardava suas palavras.
-Pelo menos eu fiz algo de bom... -sorri receosamente enquanto falava.
-Creio que sim -me deu o mesmo tipo de sorriso-. Fazia tempo que eu não tinha uma conversa assim com alguém. Sentia uma certa falta...
O almoço tinha acabado. Mas o dia era tão quente e bonito que não me agüentei e a convidei para tomar um sorvete. Ela aceitou.
-O que você acha de mim agora? -ela dizia enquanto íamos a sorveteria.
-Não mais uma garota solitária -tentei arriscar algo decente-. E nem uma garota triste e doida. Apenas uma garota que precisa de amigos verdadeiros, e não estranhos que cumprimentam na rua.
-Eu sou solitária sim. Não tenho nenhum amigo, só tenho as tais pessoas que me cumprimentam na rua -dizia um tanto irônica-.
-E eu sou o que? -adorava perguntar isso a ela.
-Não mais um estranho que me cumprimenta na rua -disse mais verdadeiramente feliz que a última vez-. Mas ainda não um amigo. Eu acredito que ter um amigo é algo tão sério quanto dizer sim a um pedido de casamento.
-Foi por tudo que teve que agüentar? -eu disse, mas parecia que ela nem me ouvia.
Tínhamos chego a sorveteria, ela disfarçava a demora da resposta para escolher um sabor. Mas em seu rosto sabia que já o tinha escolhido.
-Chocoltate. E você? -perguntei a ela para acabar com essa falsa demora.
-Melancia.
Fomos servidos e ela ainda demorava com essa resposta.
-Vamos lá fora?? O dia está tão lindo. -ela pediu.
Tirei a carteira do bolso, ela fez o mesmo.
-Não-disse antes que ela a abrisse-, eu faço questão.
Paguei e fomos a praça. A perguntei novamente se foi por tudo que ela passou.
-Sim, foi -disse triste-. Sabe o que é ter um único amigo, perdê-lo e todas as pessoas com que fala depois... pouco se importam?
-Não sei como você superou.
-Eu ainda também não sei -dizia olhando para a copa das árvores-... mas acredito sempre que foi pelo amor que ele me deixou.

Um comentário:

Juliana disse...

essa história é linda =D
Você ainda tem aquela coisa que eu escrevi na aula da elaine?

Te amo =*