sábado, 29 de março de 2008

O Retrato de Mary

Crédito de imagem: Mário Cau


Ela sorri, pendurada na parede, e está lá desde 2006, nota-se isso pela marca no rodapé da folha. Aquilo foi um presente, o mais inesquecível, até o momento. Aos olhos comuns, são rabiscos que formam uma face.
Quem conhece a modelo do retrato sabe como o cabelo cai nos ombros, como descrito por desenhos. Estes que representam perfeitamente a leveza da mão apoiando-se em algo.
As sombras do retrato, ao invés de dar um aspecto sombrio, fazem-na parecer forte(mesmo passando por dificuldades, ela sorri). E nota-se facilmente que a obscuridade foi feita com o lápis deitado, e pintou cuidadosamente, dando profundidade a face.
Se observado de perto, percebe-se a leveza dos traços(há algumas falhas do grafite, isso clareia a expressão do rosto feminino). O brilho do cabelo também é feito de falhas. Onde não há elas, o láspis se expressou sozinho(quão forte, quanto sentimento há).
A boca emociona. Como já dito, é larga em um sorriso. Nela o autor foi cuidadoso. Imagina-se que o escuro represente a vermelidão real dos lábios; o brilho, as falhas.
Os olhos têm um briho intenso, como é realmente(se comparado à modelo). Eles olham para o autor, profundamente, assim como penetrou nele, me tirou o fôlego.
Quem é a modelo? A própria presenteada(intitulá-là-ei assim por receber toda sua essência desenhada).



Outro trabalho pra aula de redação. Descrição de um obrjeto da casa. A foto já indica o escolhido, certo?
Ainda não tive muito tempo e mente para desenvolver uma idéia a respeito de uma explicação do André sobre o Trovadismo, me comoveu(eu sei bem dela, nada mais adequado que aproveitá-la).

domingo, 23 de março de 2008

O sonho e aquele beijo

A Lua cheia era uma bocarra vermelha, arreganhada na face negra do céu. Cães uivavam desesperadamente, numa ladainha triste que vinha de todos os lugares e penetrava o cérebro das duas jovens como broca de gelo - o gelo do pânico. Mariana esqueceu seus 14 anos de que tanto de orgulhava e começou a chorar como uma menininha que acorda de um pesadelo e não encontra os pais. Por ser mais velha, Valéria sentiu-se na obrigação de consolá-la, mas não soube como. Afinal, aquele pesadelo era real. Elas estavam na quadra de esportes do colégio vazio e havia alguma coisa no meio das árvores, ao lado do campo de futebol. Alguma coisa maligna que parecia estar curtindo com a situação, à medida que o cheiro de medo as artomentava. A qualquer momento a coisa atacaria e então seria o fim. Um rugido soou mais alto que os uivos dos cães. Os cabelos da nuca de Valéria se arrepiaram doloridamente, ela assemelhou o estranho barulho com galhos quebrados, aquilo se aproximara. Tinham medo de olhar para trás.
Inesperadamente, tudo se silenciou. As batidas dos corações das duas se acalmaram, até que a mais na sentiu uma respiração muito próxima, a outra nem notara que a coisa estava tão perto. Mariana gelou, pensou em gritar, mas não conseguia, foi quando sentiu uma mordida em seu pescoço, e o grito soou extridente, Valéria a acompanhou.
Após o susto, ouviram gargalhadas vindas da coisa, era um garoto do cursinho do colégio. Ambas o fuzilaram com os olhos e soltaram palavrões. Quando ele parou de rir, explicou:
-Eu estava passando e ouvi a conversa de vocês, não resisti fazer isso!
-Maluco! -gritou Mariana - Você deveria estar na aula!
-Eu sei, -ele respondeu - mas nós precisamos conversar.
As irmãs se olharam, Valéria tinha desconfiança no olhar, mas a caçula confirmou com a cabeça.
-Está certo, -disse a mais velha - vou para casa. Mas não demore, já está tarde. Direi ao papai que o ensaio de hoje demorou.
Ela se retirou. Os dois restantes se fitavam, ele de pé se retirou. Os dois restantes se fitavam, ele de pé e ela sentada. Mariana sentia um calor intenso quando estava próxima dele, lembrava-se dos sonhos em que se beijavam. Levantou-se lentamente, conforme a mão dele descia de seu rosto até a cintura, os olhos da garota brilhavam pela luz da lua cheia.
-Andou chorando? - ele questionou.
-Você sabe o que me fez - disse ela.
O garoto gostava dela, ele não fez aquilo por mal. Ela pensava nisso enquanto ele lembrava-se daquela tarde, quando ouviu ele comentando com um amigo o quanto ela era infantil.
-Eu não deveria ter feito aquilo, -sussurrou ele - o melhor era ter feito isto.
Beijou-a, mas ela sentia algo penetrando em suas costas, sua vista escureceu, ele jogou-a no chão, tinha na mão um punhal ensanguentado.
-Mariana, -as palavras saíram carinhosamente da boca dele - você é tão linda enquanto dorme.
O coração da menina parou de bater. O fim tinha chegado.
Quando abriu os olhos estava em sua cama, o coração batia forte saindo daquele pesadelo. Ele olhou para o teto, tudo era reprisado em sua retina.
-Mariana, -a voz do garoto saiu rouca - porque eu fiz isso contigo?
Ele não devia ter dito aquilo dela.




Este texto não foi feito especialmente para o blog, mas sim para a minha média bimestral em redação. A proposta era continuar um trecho, que por acaso é a introdução, é intitulado como Lua Cheia de Sangue.
Este trabalho foi feito hoje, quando me dei conta ele se tornou genial, pois algumas passagens, se observadas com cuidado, tem relações com outras partes. Se não notaram, leiam com calma.
Querido(s) leitor(es), gotou(ram) do novo lay e novo título? Finalmente o fiz como queria!

sábado, 15 de março de 2008

O roubo da madrugada

Na vida nós roubamos várias vezes. Roubamos sorrisos, beijos e olhares. E somos roubados a todo instante. Há formas doces de nos roubarem o coração, e há as cruéis.
Essa história começa quando o rapaz se aproximou do carro, a coisa não foi boa. Ele havia sido furtado. Vidros quebrados, rádio faltando, documentos saqueados, privacidade roubada.
Ontem meu professor contou na aula uma história que dizia que os bens materiais acabariam, mas jamais perderíamos o nosso estudo e a nossa bondade. Não incluíram na história que parte do nosso interior poderia ser roubado. Era apenas um portifólio e um caderno, os ladrões deveriam ter visto mais valor nos documentos, mas foi o contrário. Aquele caderno deve ter lhe parecido uma boa história baseada em fatos reais. Errado, meu caro, era a vida de uma pessoa.
Há coisas que não acontecem conosco, mas o que nos causa é a mesma sensação. Eu sinto o que acontece com ele, eu imagino a dor de um artista roubado em sua paixão, seu mojo, seu trabalho.
A vida é dura, mas se não fosse dura não seria vida. Bom seria que todos os roubos fossem de beijos, seria maravilhoso que o Antonio Prata fosse sempre colunista da Capricho, o mundo teria sentido se recém nascidos não ficassem órfãos.
E o que nós fazemos em relação à isso é ficarmos indignados. Mas o que eu pretendo é ajudar o que restou de alguém e tentar entender um pouco mais do mundo.


Este post é feito especialmente em apoio de Mário Cau e com uma pequena homenagem ao Antonio Prata. Caso você more em Campinas(preferencialmente em Barão Geraldo) e sabe de informações de um portifólio e um caderno roubados, certifique-se de que é de Mário Cau e o recupere para nós.
Eu sei que isso não dará resultado mas não custa tentar.
E assista amanhã(domingo), às 13h, HSM: A Seleção no SBT! Nem eu gosto disso, mas a minha prima Ana Guerra, participou!
Obrigada!

domingo, 9 de março de 2008

{des}concerto


Se falarmos de CD, esse é o terceiro álbum dela. Mas é o primeiro DVD da Pitty, o nomeou assim por que considera que o show seja exatamente o contrário de um concerto de música clássica. Ela pode estar certa, mas que sua primeira obra de DVD ficou boa, isso temos que admitir. A baiana sempre fez músicas boas, macabras ou românticas, nenhuma sai ruim.
Pulsos de início pode assustar, principalmente considerando que Na Sua Estante foi seu último sigle, mas com o tempo a música vai se tornando incrível, como todas as outras.
{Des}concerto tem ótimas imagens, expressões e canções. Assistindo-o, nota-se como ele se parece com a cantora, a iluminação colaborou muito com o aspecto sombrio de algumas cenas.
Mas Pitty não é só composto de Pitty. Joe, Martin e Duda arrasam, novamente. O guitarrista detona com distorções perfeitas das músicas, Duda dá o toque especial à elas e Joe é a cereja do bolo.
Quem gosta, sem dúvida, tem que assistir este DVD. Já quem não é muito chegado nela, meu conselho é que assista sem preconceito, e terá que admitir que cantou Equalize junto.


E, como fã, meu conselho é que ouçam Pitty e 30 Seconds To Mars, juntos tocando e cantando The Kill, é de chorar de tão lindo!
http://www.4shared.com/file/40074511/802504f4/PITTY_E_30_SECONDS_TO_MARS-THE_KILL_ACUSTICO_.html


Crédito de imagem: Mário Cau

sábado, 8 de março de 2008

Pintado de azul marinho

Eu queria lhe dizer coisas mas as palavras não me saem porque me cabem. Mas você já deveria ter notado, talvez o costume tenha lhe tornado insensível aos outros olhares. Aquele abraço não era um de osmose, era um de despedida.
Deveria ter aprendido, desde o início, que a abstinência não justifica. É melhor aprender logo que aquelas coisas doidas, coisas nossas, podem ter sido a ultima vez. Porque, como já disse, tornou insensível.

Ela o abraça depois de um longo beijo, ele gosta de morder seu lábio. Ela faz o mesmo em si mesma, o faz por provocação. O abraço vem em boa hora, porque as mãos grossas dele quer encontrar com a suavidade dela. Mas, ele não sabe o que tudo isso significa.

domingo, 2 de março de 2008

Palavras de noite

Porque eu abro, inutilmente, esta janela esperando que algo surja? Assim do nada? Quem sabe um olá ou algumas palavras. Mas elas vem surgindo, assim como as lembranças de ontem à noite. Algumas são irrecordáveis pelo simples fato de terem sido consideradas não comentáveis.
E a intensidade vai aumentando, a cor e a força do traço ganha igualdade daquilo que venho me acostumando. Como meus sonhos contigo são a minha própria vida, e o desejo de vida vem se tornando sonhos. E ríamos juntos de coisas distintas, porque a dele não era a minha, a minha talvez seja a tua.
Nem percebemos que o tempo passa, as palavras não fazem sentido. Mas o sentido do sentimento contido não tem cabimento, porque o sentimento para mim é grande. Tudo o falado e imutável é insignificante ao teu ler, mas caso esteja dentro do traço, tudo vira o mundo.
A partir daí os traços viram os sonhos e os sonhos deixam de existir, por ser minha vida se completa, o seu fim já pode vir, então se o imutável vira nosso sono e a gente dorme nele sem escrúpulos, a gente ama os olhos. A gente se ama na alma.
O que talvez não esteva escrito, mas esteja explicito, é que a forma de comunicação da boca vem com o beijo que eu te dei na noite passada. E se o irreconhecível lhe torna mais e mais não contido, lhe desenho um bom partir.

O Acaso da Poesia


Ela está lá, simplismente isso. Linda, sorridente, às vezes melancólica, mas isso me atrai. Esconde-se no meio de idas e vindas, nos olhares mais misteriosos, nos sorrisos meigos. Disfarça-se de sóis, luas e flores, mas é sempre a mesma. A gente a chora, a recita, a louva, façamos o máximo, pois sempre ela é muito maior que podemos guardar.















Crédito da foto: Mário Cau

sábado, 1 de março de 2008

Só de passagem

O pressentimento foi intenso, e se comprovou verdadeiro. Os olhos da garota foram parar para fora da jenela do carro por simples acaso, acabou por reencontrar os dele. Um sorriso dela veio, mas ambos seguiram em frente.
O que mais lamenta é o fato irem para lados opostos.