domingo, 27 de julho de 2008

Os Insetos Interiores

O Teatro Mágico - Segundo Ato

Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega se de “mais tralos".
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, “infértebrados”.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se


A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Maquiagem

Porque achar que sou louca? Quem nunca no fim da noite pegou a maquiagem e fingiu ser outra pessoa apenas para se divertir? Se olhar no espelho e ver aquela pessoa que se parece como você, mas sorri sendo outra pessoa. Ele me disse uma vez que amava quando meus olhos maquiados o olhavam intensamente, besteira, ele não sabia da minha verdadeira identidade. Quando maqueio meus olhos é para ter um escudo, eu olho para as pessoas, mas elas não me veêm de verdade. A maquiagem domina minha identidade e eu nem sei mais quem sou.
-Você não sabe o que diz - respondi a ele-, não sabe como eu sou na verdade.
-Como você é na verdade? -pediu ele.
-Quando estou maquiada eu não sou eu -expliquei-lhe-, sou outra pessoa. Faço coisas que sempre tive vontade de fazer mas jamais consegui. Acho que quando estou maquiada, eu sou eu mesma, mas as pessoas estão acostumadas comigo maquiada. Exceto você.
-Eu não acredito -ele me acertou.
-Como assim, -indaguei- não acredita em mim?
-Você esta maquiada. -respondeu sério.
Era verdade. Nem notei. Eu me sinto melhor maquiada, pode parecer um escudo, mas é a minha liberdade. Eu passo lápis e sou marcante; quando escolho o batom vermelho, sou sexy; a sombra rosa é para quando quero fingir ser eu mesma. Para que sofrer de amor se a gente pode deixar de ser a Lady Hill e passar o vermelho, colocar o vestido de paetê e esquecer de quem não quis brincar com fogo(?).
Quando passo o demaquilante no meu rosto, eu vejo a verdadeira eu indo embora, me dói de saber que só com ela eu falo o que quero que seja dito. Eu deveria agir como ela, deixar de ser essa eu e ser ela. Ela era eu. Afinal de contas, eu devia deixar de ser falsa. Ou, ao menos, fingir ser quem eu realmente deveria ser.
-Eu não moro mais aqui -eu disse, em plenas férias-, moro na capital. Fiquei lá tanto tempo que resolvi me mudar.
-A gente não vai mais se ver? -ele perguntou, preocupado.
-Não se preocupa, -acalmei-o - vou passar as férias aqui. Durante 3 anos ainda estarei por aqui, de férias. Vou voltar para casa, na capital, a cada 6 meses para ajeitar minha vida lá.
-Não entendi, -ele disse- você mora lá e passará férias de 3 anos aqui?
-Você entende sim, -eu informei- você não vê a hora de passar no vestibular e sair dessa cidade. Não agüentamos mais morar aqui. O que eu fiz foi ser mais otimista. Fingir que moro lá, e essas são minhas férias. Bem mais simples.
-Você ainda deseja essa cidade sim -ele falou-, tem gente aqui que ainda te importa, teus avós, teus pais... eu.
-Realmente -respondi-, mas eu pretendo levá-los comigo, sou egoísta demais de deixá-los aqui. Quando eu me mudar definitivamente, você e eles irão comigo. Você na mesma casa. Eles no mesmo bairro.
Nunca conheci pessoa mais parecida comigo do que ele, sempre me acalmou e aconselhou. Ele sairia da cidade primeiro, duraria pouco. Depois eu iria. Estava tudo planejado, faria jornalismo na capital e levaria minha família. Sempre vivi a minutos deles, não queria crescer e mudar isso.
Não, eu não era estranha; apenas parecia. Tirando a história da maquiagem, da capital, do café e da comida, eu era perfeitamente normal para os olhos críticos. Eu apenas abandonaria aquilo que me abandonou; uma vez me excluiram apenas porque eu comia diferente. Eu não gostava de ser tratada daquele jeito e fugi para um show. Nada fez sentido mais naquela família.
Apenas ele me contentava. Nós iriamos morar juntos, assim que ele terminasse a faculdade em outra cidade. Sonhei demais com aquilo; tanto que outro dia me peguei num sonho de colegial dentro do museus que mais quis conhecer na capital. Foi afobante o sonho, a garota que se achava mais cultural que eu estava lá, ela morou naquela cidade, mas não queria estar lá como eu planejei morar lá. Eu era mais cultural, eu fiz jornalismo depois de tudo. E o que ela fez? Passou numa particular cara, o pai que a abandonou teve que pagar a faculdade após 13 anos sem saber quem a filha era. Seus 4 anos na faculdade era fazendo programa(não vou especificar o que) para os ricos. Se instalou na casa de um deles, nunca casou; ele já era casado. E se achou mais cultural que eu, só porque conhecia a capital.
Na verdade eu sempre quis alguém que me cuidasse. Meus pais era legais, eu amava meus avós e convivia muito com primos e amigos. Eu queria alguém que pudesse dormir na mesma cama que eu após um longo dia na redação do jornal e ele no escritório. Era a vida perfeita. Que depois de muito café e maquiagem eu consegui alcançar.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Três pessoas "sortudas"

Hoje tem duas homenagens e um comentário.
Antes, quero contar uma história. É da mais recente ovo-lacto-vegetariana. Ela parou, definitivamente, de comer carne. Sua última dose de amargura foi o presunto de uma pizza. Hoje ela planeja amadurecer ao mesmo tempo que controla sua alimentação saudável. Ela não se importa que falem que é uma romântica emotiva, que chora o filme Wall-e inteiro. Ela só se importa se o que faz é certo para o meio ambiente ou não. Essa veg sou eu, tenho o maior orgulho de anunciar que agora é oficial. E, como aviso, futuramente farei alguns posts sobre a minha nova vida sendo quem eu realmente sou.

As três pessoas "sortudas" são o Mário, a Tia Mercedes e a Júlia. Mário por fazer o que eu queria, conhecer o mundo; tia Mercedes está, sem dúvida, com a pessoa que eu mais desejo ter comigo, meu pai; a Júlia está passando a semana na cidade que eu amo, São Paulo.

Homenagem
Mário: parabéns por estar arransando em San Diego.
Tia Mercedes: faleceu ontem, e sempre estará conosco, principalmente porque foi o maior praser conhecê-la no início do mês.


Eu preciso me concentrar nas minhas 4 idéias de contos. 2 começadas e 2 imaginadas.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

"You see this life as nothing but a song without no rime"

Nós riamos muito quando ele colocou a calça apertada, tudo porque eu pedi. Tudo bem, eu estava com um vestido preto muito esquisito que ele sugeriu que eu usasse. Para ele eu estava linda, para mim ele era o único. Não importava que fantasia era aquela noite.
Mas, depois de um tempo aquilo virou só história. A quem eu contava a achava fora do contexto da vida, se vestir como o outro quer.
Eu gosto mesmo de pessoas que aceitam as nossas mudanças e loucuras, principalmente porque eu e ele sabiamos o que fazer. Quem mais me criticou, não. Apenas nos divertiamos e os precipitados nos julgavam erradamente e, ainda, não entendendo a magia da vida quando se ri. Não nos importamos com os comentários, mas aquilo me deixou intrigada, tudo poderia ser mais calmo.
Quando voltamos para casa, depois de um final de semana esquisito, tudo o que não aconteceu parecia que aconteceu. Decidimos viajar para uma cidade calma para poder passear e encontrar uns amigos. O que fizemos foi passar a noite no hotel ouvindo música e escrevendo, no dia seguinte passamos na melhor doceria. Na mesma noite voltamos contando toda a calmaria como se fosse o máximo que alguém pudesse atingir, como ir a Paris, por exemplo.
"Perderam um excelente show", disse um amigo que queria nos levar a um barzinho. Perdemos? Não, porque a nossa vida já é uma música. Para as pessoas é totalmente sem rima, mas, fazer o que? Essas pessoas não entendem a poesia.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Jogo: perguntas bobas, respostas boas

COMPLETE:
- Eu tenho: uma visão diferente
- Eu desejo: um mundo novo
- Eu odeio: quem odeia muito
- Eu escuto: música boa e silêncio
- Eu tenho medo de: fogo
- Eu não estou: conformada
- Eu estou: com cafeína na veia
- Eu perco: meu tempo com coisas inúteis
- Eu preciso: de um novo lugar
- Me dói: esperar por coisas que já espero

SIM OU NÃO?
- Tem um diário? Sim
- Gosta de cozinhar? Muito, mas tenho muito que aprender
- Gosta de tempestades? Se ela gostar de quem gosta dela
- Há algum segredo que vc não tenha contado à ninguém? Sim
- Acredita no amor? Por poucos segundos eu deixo de acreditar
- Toma banho todos os dias? Sim, quando não dá, fazer o que??
- Quer casar? Sim
- Quer ter filhos? Loucamente sim!

QUAL É?
- A frase que mais usa no msn: hahaha
- Sua banda favorita: isso não tá no plural...
- Seu maior desejo: melhorar o mundo
- 3 Lugares estranhos em que vc transaria: na lua, na chuva e numa biblioteca

OUTRAS PERGUNTAS
- Signo: Touro
- Cor dos olhos: Castanhos claros
- Numero favorito: 157
- Dia favorito: início de férias
- Mês favorito: Julho
- Estação do ano favorita: Inverno
- Café ou chá? Cappuccino
VOCÊ
- Tem problemas de auto estima: um pouco
- Abriria mão de ficar com alguém muito gato por respeito ao próximo: Sim
- Iria a uma micareta: jamais
- Cuidaria de amigos bêbados: Sim
- Dá toco sem problema nenhum: já dei!

NAS ULTIMAS 24HS VC:
- Chorou? Sim(com o perfume da minha mãe no pijama)
- Ajudou alguem? Sim
- Ficou doente? Não
- Foi ao cinema? Sim! Wall-e, o filme começou e eu já chorei!
- Disse “te amo”? Senti, apenas.
- Escreveu uma carta? Um e-mail, apenas.
- Falou com alguem? Muitas pessoas
- Teve uma conversa séria? Muito séria!
- Perdeu alguem? Quase quis isso
- Abraçou alguem? Não, mas deu vontade
- Brigou com algum parente? Muito pelo contrário
- Brigou com algum amigo? Yeah

ALGUMA VEZ VC PODERIA:
- Beijar alguem do mesmo sexo? Sem problema algum
- Fazer sexo com alguem do mesmo sexo? Nunca pensei nisso, talvez
- Saltar de paraquedas? Demorou!!
- Cantar em um karaoke? Lógico, o que importa é a emoção
- Ser vegetariano? Já sou!
- Se embebedar? Não!
- Roubar uma loja? Neeem
- Se maquiar em publico? Isso não é educado!

sábado, 12 de julho de 2008

Piratas do Caribe - A Espada e o Frango

Oh, Jack. Lutei por você a tarde toda, entre uma corrida de kart e uns strikes no boliche. Você me divertia com sei jeitinho de saturação de rum, que eu adoro. O Will me deixava indecisa, mas eu venci pelos dois. "Oh, capitain, my capitain", eu dizia a tarde toda quando você espaldeava os inimigos sozinho. Desviada de armadilhas e, que me deixou com raiva, beijou várias mulheres. Dizia que eu era a única, mas, e todas aquelas que te deram um tapa pode terem sido abandonadas?
Decidi ficar com o Turner mesmo, pelo menos ele não bebe.


Post ás dez para quatro da matina enquanto o primo Muri joga Piratas do Caribe(O Fim do Mundo). O intuito do jogo é você lutar com espada com vários carinhas doidos, como é no Wii, a espada mexe com o movimento da mão. E sempre que você tá morrendo, come frango. Ou seja, o que você mais faz no jogo é lutar e comer frango!
Deram o nome errado ao jogo!!

Faz 10 vezes que a gente tá jogando a mesma parte, tá muito difícil!! Dá muita raiva, decidi pegar o leptop e escrever enquanto vejo, tá uma loucura! É tornado, 4 monstros, tempo a seguir, frangos, raios!! Credo! É O FIM DO MUNDOOOOO!!
Hahaha

Então, notícias da escritora Guerra(todo mundo em paz, a Mariana, Guerra!; by Muri):
Consegui escrever um dos contos pra Café Espacial, intitulado Olhos Bipolares.
Quero escrever um mais calminho pro Tio Sergio escolher. Um com a nova Mari(a Guerra) e um by Mari(a menininha romântica).
Fui na Livraria HQ Mix esses dias, na quarta. Lá é uma vertigem! Parece sonho. Você respira quadrinho.

Mariana funga o ar, e diz:
ótimo sentir o aroma de arte.
Marina faz o mesmo e responde:
-Só sinto cheiro de cigarro.

Não quis dizer que quadrinhos são uma droga, mas foi o que aconteceu. Mas, arte é uma das melhores drogas do mundo, assim como a paixão. Mas, essa última pode acabar rápido; a Arte, é imortal.

Esse post tá grande, ? Vou contar uma história.

O copo estava mais quente do que ela gostava; mesmo assim, ousou um gole. Enquanto sua garganta queimava, seus olhos lacrimejavam; o liquido que seria seu mais novo vício infiltrava em seu corpo. Quando sua visão voltou ela olhou ao garoto que acompanhava as amigas na mesa; começava sua outra mania.

Agora a parte agoiante acabou. Estamos lutando contra os britânicos, entre frangos e faíscas de espadas. Amanhã eu volto pra Amapro. Aliás, estou em São Paulo, não contei isso no blog ainda. Mas volto no domingo para passar mais uma semana. Esses britânicos parecem padres, vestidos de pretos.

Estou narrando o jogo até fazermos final. 4h12. Cada vez mais tarde. Uma dúvida, como o Jack consegue lutar tão bêbado? Nos três filmes, em nenhum ele estava sóbrio. Em um, quando estava em uma ilha deserta para tartar o vício, achou um carregamento de rum enterrago. O Will Turner bebeu junto.

Enquete: quem é mais bonito?
  • Will Turner (Orlando Bloom)
  • Jack Sparrow(Jonny Depp)

Bom, vamos dormir. 4h20.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sobre recomeçar

É realmente difícil refazer sua vida depois que tudo muda, principalmente quando você e um colegadecidem fazer coisas que te levam a sérias consequências. Pra que depois de engravidar ficar com o ruivo magricelo? É preferível o cara que toca guitarra. Enquanto a mãe cuida de seu filho adotivo, a verdadeira mãe dele passa a noite com o ex-futuro pai adotivo; e o pai original abre a caixa de tic-tac de laranja sobre a mobilha descartada.

sábado, 5 de julho de 2008

Cafeteria

Assim que cheguei, pude notar que ela me esperava lá há muito tempo; quando fica impaciente começa a rasgar papel - a mesa estava cheia deles. Ao chegar ao seu lado, nem me encarou, abriu a boca e pediu:
-Mais um cappuccino com chocolate, por favor.
-Amigo, -chamei o garçom- um cappuccino com bastante chocolate e um espresso, capricha no creme.
Ela me olhou assustada e se desculpou pela falta de atenção; mesmo após duas xícaras de café tradicional e outra com leite, estava desatenta, explicou-se enquanto me sentava.
-Por acaso me atrasei muito? - perguntei estranhando.
-Não, eu cheguei cedo mesmo! -ela sorriu- Tarde vazia, cheguei às 14h. -disse normalmente, eram 16h!- Mas, porque pediu com muito chocolate?
-Eu sei do que gosta. -soou normal. Éramos amigos desde meus 15 anos, naquele dia, faltavam dois meses para chegar aos 19- Como no dia da cachoeira, aquele gosto de chocolate na tua...
O garçom nos serviu, ela ficou pálida, fitou meus olhos de uma maneira que nunca fez. Contemplei-a, era linda, o cabelo ondulado caia leve nos ombros.
-Nossa, a cachoeira! -ela cortou o silêncio- Só fomos lá uma vez. Já faz um ano.
-Foi maravilhoso! -eu disse sorrindo- Em casa estava aquele calor terrível, quando você teve a idéia de me levar lá.
-A caminhada foi um pouco cansativa, -ela continuou o que eu dizia- a mata era densa, árvores enormes por todos os lados. Aquele aroma de natureza. -Você gritou tanto quando viu a cobra! -eu disse, rindo.
-Lógico! Ela era enorme! Você bem que ficou com medo! -ela se defendeu e desafiou-me - Tinham tantos liquens nos troncos, o ar de lá era puríssimo! Tanto que pude sentir o perfume delicioso das bromélias, isso porque é muito suave e doce.
Enquanto conversávamos, aquele cheiro de café, que há pouco me consumia, era substituído pelo da mata e, conforme as lembranças vinham, da cachoeira.
-Mas vimos a cascata e você correu para pular na piscina natural -divertia-se enquanto contava. Nunca vi água tão pura e viva, nadei tão forte para chegar até a queda d'água.
Fechei os olhos e acalmei-me ali, pude tirar o calor e a angústia, senti meu corpo desfalecer com a calmaria das sensações e o som zen. Queria ficar naquilo para sempre. Mas voltei para buscar aquela garota maravilhosa de biquíni vermelho; ainda me lembro de seus gritos quando a abracei, "Me solta! Você tá gelado! Não quero pular agora.", respondi, calmo, que não queria jogá-la.
-E você me beijou -ela completou, depois de lembrar-lhe daquela frescura. Ela disse que aquilo com um tom de reprovação; eu sorri, com a melhor cara de safado que pude arranjar. -Nunca senti boca tão gelada -ela continuou.
-Você tinha acabado de comer chocolate -brinquei.
Foi estranho voltar ao carro em um silêncio atordoante; talvez fosse o cansaço, nadamos tanto; ou foi o beijo, nunca mais tentei aquilo.
-Devemos voltar lá neste verão -ela sugeriu.
-Realmente -concordei.
Terminamos logo o café conversamos mais um pouco e resolvemos ir embora. Ela fez questão de pagar seus 4 cafezinhos; fiquei intrigado enquanto a observava, ela nunca gostou tanto assim de café. Ao sairmos ela sugeriu:
-Tem uma loja de chocolate aqui perto que é incrível, conhece?
-Sim, -respondi- mas o chocolate não é tão bom... -ela fez uma cara de "seu-estraga-prazeres" que eu sempre gostei- quanto o gosto que fica na tua boca após comê-lo.
Antes que ela pudesse ter alguma reação, beijei-a. Sua boca estava quente e com gosto de café. Não podia mais esperar para tocá-la, não importava o paladar, o tato ou a visão.



Mais um texto para a aula de Redação. Sabe que nota essa ganhou? Dez! :D

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O Caos

O dia que a Internet parou e São Paulo parou junto

Foi na madrugada passada que eu descobri o que o estado de São Paulo viveria amargamente durante 24h. A Internet não conectava. Pode parecer pouca coisa para Mariana que tem acesso discado, mas não era. Liguei para a Juliana e ela contou que também não conseguia acessar. Achávamos que foi por conta de terem bloqueado o Google, mas fiquei de plantão na televisão e tudo se esclareceu: houve pane no sistema da Telefonica. Acabou na quinta por volta das 23h, mas o motivo não foi esclarecido.
O caos se instalou porque os sistemas públicos necessitam do acesso para operarem, para se ter uma idéia, não foram atendidas 20.000 pessoas no Poupa Tempo por falta de conexão. 800 carros não foram emplacados só na capital e dezenas de B.O.s não puderam ser feitos. Sem contar com as lan houses que dependem da Internet e outras empresas que operam online.
É ficando 24h sem Internet em apenas um estado que se faz pensar: e se a Internet apagar para sempre? Já calcularam os gastos, o mundo realmente entraria em caos e a maior parte dos serviços deixariam de existir.
A conexão continua lerda, mas pode ter certeza, ficar acordada até de madrugada para ouvir a Internet discando é um calmante, um sinal que o mundo voltou a girar para nós, paulistas. Acho que o único leitor desse blog que não enfrentou a pane foi o Anderson, , japa??

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Outros lugares

Fiquei perdido todo aquele tempo, nem sei o quanto foi. Perdido, chamando por solidão. Morrer sozinho, sem ninguém sofrer por mim, sem ninguém saber, sem se importar. Ela abriu a porta de sua casa, a dias, anos, não a via... de frente pra ela, ela me olha, eu estava acabado. Não tinha mais idéia do tempo.
-Por quanto tempo eu sumi? -perguntei, ela devia saber.
Esperava ouvir vinte anos, quando ela disse:
-Duas horas...
Ela estava assustada, eu senti isso.
-Quer entrar? -disse carinhosa, como sempre.
Eu entrei de má vontade, ela fez um gesto me convidando ao sofá. Me sentei, ela sentou ao meu lado e me olhou fundo.
-Eu não entendi o que aconteceu, -ela fala com cautela- nós estávamos conversando calmamente lá na praça, depois você me olhou estranho e...
-Pára de se importar comigo! Pára! -eu protestei.
Ela é sensível, os olhos maquiados e vermelhos, cheio de lágrimas que ainda não escorreram. Do que tinha culpa, ela não entendia o que se passava comigo. Eu estava preso, sem liberdade alguma. Como podia culpá-la, condená-la. Eu mesmo que me pus naquela situação. Deixá-la sofrer não seria certo; mas não consigo me controlar mais, não sou eu que faço isso. Estou dominado por aquilo que sempre temi e me entreguei.
-Não ouse derramar uma lágrima, -ameacei- se não aqui mesmo eu me mato. Se você chorar, merecerá meu sangue!
Assustada. Estava pálida, me encarava triste. Queria me calar, mas não conseguia; tinha toda a consciência do que fazia, mas não podia me conter. Eu fiz um pacto comigo mesmo, pararia de me drogar e daí merecia tê-la. Podia ver em seus olhos, ela gostava de mim; mas nunca gostou do meu hábito. A conheci quando estava drogado, fumei ao seu lado muitas outras vezes quando conseguimos nos encontrar. Outro dia, quando estávamos conversando ela me contou que tinha nojo de quem usa drogas e não conseguia entender como acabou conversando comigo. Para poder tê-la, eu teria que ser como ela espera que eu seja no mínimo. Prometi a mim mesmo parar com isso, até para o meu bem. Sou fraco, injetei e fumei até acabar com tudo que tinha em casa.
A amava. Por isso eu não podia vê-la mal, eu a amava. Sempre com seu jeito certinho, sua delicadeza. Todas aquelas coisas que me enjoam. Havia ali duas dúvidas enormes: como gostei dela e como ela se aproximou de mim? Cada um com seus desgostos no outro, nos tornamos próximos.
-Não diz isso... -ela pediu.
-Não preciso de ninguém. -disse firme, resistindo aos seus olhos.
-Marcos, se você não tem nem a si mesmo, você precisa de alguém. -disse com olhar de súplica.
Sozinho, eu não me acharia, porque eu me abandonei. Mas e ela? Eu estava mesmo sozinho? Ela me abraçava, queria me dar carinho, mostrar que eu tinha a ela. Só a ela, pois nem a mim eu tinha. Eu queria ela, mas ela sofrer por mim... não. A empurrei, ela caiu no chão e não conseguiu me olhar. Seu braço estava vermelho, pois havia a agarrado sem me dar conta. Teve medo de mim, vendo-a ali, caída e desprotegia, entendi que não precisava mais de pacto algum. Segurei-a mais forte ainda, onde doía, coloquei-a de pé.
-Marcos, pára! -ela pediu- Tá me machucando.
Até aquele momento não me dei conta, mas ela era linda. No ímpeto na minha loucura fitei-a. Deixei de ser humano, fui tão consumido que jamais podia voltar a ter sentimentos por ela. O que me deixou fazer aquilo? Eu a amava e machucava sem sentimento algum. Cai no chão e vi que tudo escureceu. Apenas me lembro de ter acordado no sofá da casa dela, será que tudo aquilo foi um pesadelo? Notei que ela estava no outro sofá, me olhando e cuidando de mim. Tinha uma xícara de chá na mão, observei seu corpo, o braço ainda estava vermelho; o pesadelo era real.
-Como você consegue?
-Consigo o quê?
-Machuquei teu braço e você tá aqui cuidando de mim.
-Marcos, você não estava bem. Foi culpa de...
-Ter me drogado, eu sei. Sou um idiota.
-É o maior idiota que eu já vi.
-Sou mesmo. O mais estúpido, menos sensível.
-O mais insano, por sinal.
Insanidade. Me lembrei de tudo que ela me disse naquela tarde, do porque foi falar comigo. Disse ela que, naquele show que nos vimos pela terceira vez, estava com os amigos e não conseguia mais aguentá-los, todos perfeitos, mais estranhos que ela. Então eu me aproximei e quis conversar com ela. Eu fumava e ela recusou sem pensar. Mas, quando se virou e viu seus amigos reclamando do som alto e querendo ir embora para o shopping, ela decidiu se apresentar.
-Lembra de quando nos conhecemos?
-Sim.
-Lembra do que você me disse? Do porquê foi falar comigo.
-Claro.
-Você é a mais insana.
-Talvez tenha razão. Quanto mais eu convivo contigo, mais eu entendo que aquilo foi a melhor solução. Olhei para meus amigos e vi minha vida certinha e chata, que eu sempre achei que fosse vida mesmo. Mas quando me deparei com aquele cara louco, drogado e animado, decidi dar uma chance às coisas novas que eu poderia conviver. Mas eu jamais quis ser como você, drogado. O que eu gosto de você é de não se importar com a opinião dos outros, de viver o que acha que tem que ser vivido.
-Roberta... obrigada por ser uma boba que cuida desse idiota.
Desmaiar foi a melhor solução, me perder na loucura por alguns minutos. Eu quase a matei, eu quase morri. Roberta foi a melhor solução para a minha vida. Aguentando meus ataques, minha fraqueza até que, por não poder me controlar, eu me perdi de vez. A última vez que fitei em seus olhos ela não estava assustada e nem aliviada. Garota forte, foi mais tempo tendo que se acostumar a não me ter do que tento que cuidar de mim. Eu a amei como nunca pude imaginar, aquela certinha. Roberta hoje caminha pelo parque se lembrando do que poderia não ter feito e, como consequência, teria a vida mais vazia.