sábado, 5 de julho de 2008

Cafeteria

Assim que cheguei, pude notar que ela me esperava lá há muito tempo; quando fica impaciente começa a rasgar papel - a mesa estava cheia deles. Ao chegar ao seu lado, nem me encarou, abriu a boca e pediu:
-Mais um cappuccino com chocolate, por favor.
-Amigo, -chamei o garçom- um cappuccino com bastante chocolate e um espresso, capricha no creme.
Ela me olhou assustada e se desculpou pela falta de atenção; mesmo após duas xícaras de café tradicional e outra com leite, estava desatenta, explicou-se enquanto me sentava.
-Por acaso me atrasei muito? - perguntei estranhando.
-Não, eu cheguei cedo mesmo! -ela sorriu- Tarde vazia, cheguei às 14h. -disse normalmente, eram 16h!- Mas, porque pediu com muito chocolate?
-Eu sei do que gosta. -soou normal. Éramos amigos desde meus 15 anos, naquele dia, faltavam dois meses para chegar aos 19- Como no dia da cachoeira, aquele gosto de chocolate na tua...
O garçom nos serviu, ela ficou pálida, fitou meus olhos de uma maneira que nunca fez. Contemplei-a, era linda, o cabelo ondulado caia leve nos ombros.
-Nossa, a cachoeira! -ela cortou o silêncio- Só fomos lá uma vez. Já faz um ano.
-Foi maravilhoso! -eu disse sorrindo- Em casa estava aquele calor terrível, quando você teve a idéia de me levar lá.
-A caminhada foi um pouco cansativa, -ela continuou o que eu dizia- a mata era densa, árvores enormes por todos os lados. Aquele aroma de natureza. -Você gritou tanto quando viu a cobra! -eu disse, rindo.
-Lógico! Ela era enorme! Você bem que ficou com medo! -ela se defendeu e desafiou-me - Tinham tantos liquens nos troncos, o ar de lá era puríssimo! Tanto que pude sentir o perfume delicioso das bromélias, isso porque é muito suave e doce.
Enquanto conversávamos, aquele cheiro de café, que há pouco me consumia, era substituído pelo da mata e, conforme as lembranças vinham, da cachoeira.
-Mas vimos a cascata e você correu para pular na piscina natural -divertia-se enquanto contava. Nunca vi água tão pura e viva, nadei tão forte para chegar até a queda d'água.
Fechei os olhos e acalmei-me ali, pude tirar o calor e a angústia, senti meu corpo desfalecer com a calmaria das sensações e o som zen. Queria ficar naquilo para sempre. Mas voltei para buscar aquela garota maravilhosa de biquíni vermelho; ainda me lembro de seus gritos quando a abracei, "Me solta! Você tá gelado! Não quero pular agora.", respondi, calmo, que não queria jogá-la.
-E você me beijou -ela completou, depois de lembrar-lhe daquela frescura. Ela disse que aquilo com um tom de reprovação; eu sorri, com a melhor cara de safado que pude arranjar. -Nunca senti boca tão gelada -ela continuou.
-Você tinha acabado de comer chocolate -brinquei.
Foi estranho voltar ao carro em um silêncio atordoante; talvez fosse o cansaço, nadamos tanto; ou foi o beijo, nunca mais tentei aquilo.
-Devemos voltar lá neste verão -ela sugeriu.
-Realmente -concordei.
Terminamos logo o café conversamos mais um pouco e resolvemos ir embora. Ela fez questão de pagar seus 4 cafezinhos; fiquei intrigado enquanto a observava, ela nunca gostou tanto assim de café. Ao sairmos ela sugeriu:
-Tem uma loja de chocolate aqui perto que é incrível, conhece?
-Sim, -respondi- mas o chocolate não é tão bom... -ela fez uma cara de "seu-estraga-prazeres" que eu sempre gostei- quanto o gosto que fica na tua boca após comê-lo.
Antes que ela pudesse ter alguma reação, beijei-a. Sua boca estava quente e com gosto de café. Não podia mais esperar para tocá-la, não importava o paladar, o tato ou a visão.



Mais um texto para a aula de Redação. Sabe que nota essa ganhou? Dez! :D

Um comentário:

Anderson disse...

=OOOO

DEZ?? *__*

é claro né... tem como imaginar outra nota pra esse texto? xP

modesta você...

e seu(sua) professor(a) é cego(a)

devia dar nota 100 /o/

né?

beijos Mari, te amo! ^^