sexta-feira, 25 de julho de 2008

Maquiagem

Porque achar que sou louca? Quem nunca no fim da noite pegou a maquiagem e fingiu ser outra pessoa apenas para se divertir? Se olhar no espelho e ver aquela pessoa que se parece como você, mas sorri sendo outra pessoa. Ele me disse uma vez que amava quando meus olhos maquiados o olhavam intensamente, besteira, ele não sabia da minha verdadeira identidade. Quando maqueio meus olhos é para ter um escudo, eu olho para as pessoas, mas elas não me veêm de verdade. A maquiagem domina minha identidade e eu nem sei mais quem sou.
-Você não sabe o que diz - respondi a ele-, não sabe como eu sou na verdade.
-Como você é na verdade? -pediu ele.
-Quando estou maquiada eu não sou eu -expliquei-lhe-, sou outra pessoa. Faço coisas que sempre tive vontade de fazer mas jamais consegui. Acho que quando estou maquiada, eu sou eu mesma, mas as pessoas estão acostumadas comigo maquiada. Exceto você.
-Eu não acredito -ele me acertou.
-Como assim, -indaguei- não acredita em mim?
-Você esta maquiada. -respondeu sério.
Era verdade. Nem notei. Eu me sinto melhor maquiada, pode parecer um escudo, mas é a minha liberdade. Eu passo lápis e sou marcante; quando escolho o batom vermelho, sou sexy; a sombra rosa é para quando quero fingir ser eu mesma. Para que sofrer de amor se a gente pode deixar de ser a Lady Hill e passar o vermelho, colocar o vestido de paetê e esquecer de quem não quis brincar com fogo(?).
Quando passo o demaquilante no meu rosto, eu vejo a verdadeira eu indo embora, me dói de saber que só com ela eu falo o que quero que seja dito. Eu deveria agir como ela, deixar de ser essa eu e ser ela. Ela era eu. Afinal de contas, eu devia deixar de ser falsa. Ou, ao menos, fingir ser quem eu realmente deveria ser.
-Eu não moro mais aqui -eu disse, em plenas férias-, moro na capital. Fiquei lá tanto tempo que resolvi me mudar.
-A gente não vai mais se ver? -ele perguntou, preocupado.
-Não se preocupa, -acalmei-o - vou passar as férias aqui. Durante 3 anos ainda estarei por aqui, de férias. Vou voltar para casa, na capital, a cada 6 meses para ajeitar minha vida lá.
-Não entendi, -ele disse- você mora lá e passará férias de 3 anos aqui?
-Você entende sim, -eu informei- você não vê a hora de passar no vestibular e sair dessa cidade. Não agüentamos mais morar aqui. O que eu fiz foi ser mais otimista. Fingir que moro lá, e essas são minhas férias. Bem mais simples.
-Você ainda deseja essa cidade sim -ele falou-, tem gente aqui que ainda te importa, teus avós, teus pais... eu.
-Realmente -respondi-, mas eu pretendo levá-los comigo, sou egoísta demais de deixá-los aqui. Quando eu me mudar definitivamente, você e eles irão comigo. Você na mesma casa. Eles no mesmo bairro.
Nunca conheci pessoa mais parecida comigo do que ele, sempre me acalmou e aconselhou. Ele sairia da cidade primeiro, duraria pouco. Depois eu iria. Estava tudo planejado, faria jornalismo na capital e levaria minha família. Sempre vivi a minutos deles, não queria crescer e mudar isso.
Não, eu não era estranha; apenas parecia. Tirando a história da maquiagem, da capital, do café e da comida, eu era perfeitamente normal para os olhos críticos. Eu apenas abandonaria aquilo que me abandonou; uma vez me excluiram apenas porque eu comia diferente. Eu não gostava de ser tratada daquele jeito e fugi para um show. Nada fez sentido mais naquela família.
Apenas ele me contentava. Nós iriamos morar juntos, assim que ele terminasse a faculdade em outra cidade. Sonhei demais com aquilo; tanto que outro dia me peguei num sonho de colegial dentro do museus que mais quis conhecer na capital. Foi afobante o sonho, a garota que se achava mais cultural que eu estava lá, ela morou naquela cidade, mas não queria estar lá como eu planejei morar lá. Eu era mais cultural, eu fiz jornalismo depois de tudo. E o que ela fez? Passou numa particular cara, o pai que a abandonou teve que pagar a faculdade após 13 anos sem saber quem a filha era. Seus 4 anos na faculdade era fazendo programa(não vou especificar o que) para os ricos. Se instalou na casa de um deles, nunca casou; ele já era casado. E se achou mais cultural que eu, só porque conhecia a capital.
Na verdade eu sempre quis alguém que me cuidasse. Meus pais era legais, eu amava meus avós e convivia muito com primos e amigos. Eu queria alguém que pudesse dormir na mesma cama que eu após um longo dia na redação do jornal e ele no escritório. Era a vida perfeita. Que depois de muito café e maquiagem eu consegui alcançar.

3 comentários:

Anderson disse...

nossa que bonito *__*

deu um pouco de confusão aos meus pensamentos, mas bonito mesmo... ^^

é realmente algumas pessoas tendem a se esconder por trás da maquiagem e outras fazem exatamente o contrário, bah é por isso e por varias outras coisas que homens como eu não entendem 100% as mulheres xDDD

e... lutar pelos seus sonhos é o que realmente importa...

lute e não apenas lute, vença! ^^

beijos May! te amo ^^

Mário Cau disse...

*aplausos*

Realmente, gostei muito!!
Aquele começo com a filosofada sobre amquiagens me lembrou de uma coisa bastante interessante sobre o Batman. Bruce Wayne é a máscara. Batman é a pessoa verdadeira. Imagoina a dualidade disso.

Agora achei que no final, perde3u um pouco da energia. Eu sinto o auto-biográfico rondando sempre, asim como me ronda no que eu faço, mas às vzs a gnt abre demais a torneira e molha demais o papel...
Cuidado pra não diluir demais sua poesia, sis ;- )

No final das conta,s um belo texto pra se ler tomando um bom café! (até pq o café dos EUA é horrível)

Bjão!

C. disse...

Muito bom cara. Eu não conseguiria filosofar da forma que vcê teve o objetivo.
Ficou muito bom, nota 10!
Beijãao :*