sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Crie uma narrativa

Eu não conheço meu mundo, cheguei de viagem às 15h e ainda não consegui um táxi que me levasse ao meu lugar. Não conheo o cappuccino que me faria acordar dessa vida cinza e nubulosa; embora gostasse de neblina, cada vez mais densa no meu olhar. Ela emvobre a tristeza e a calma, enxergo só a ilusão; um volto que jamais conseguiu chegar até mim.
O meu caso é que meus sonhos se tornam realidade; como São Paulo e Osasco, conumbardos, quando eu acordojá estou vivendo o que não deveria. De todo meu passado encaixotado no último banho do lago do último país que abandonei, me resta apenas uma nostalgia: os óculos. Lembro-me deles, antes que minha mãe pudesse morrer de cancêr, ela os comprou para mim.
Do meu pai não me lembro, ela abandonou minha mãe antes mesmo que eu fosse o espermatozóide campeão. Nasci homem, assim como ele, infelizmente. Gostaria de ter nascido mulher, já me envolvi com elas, não me atraem. Todas as frescuras e cremes, é mais simples se apaixonar por homens como eles são, rústicos. Já me envolvi com eles, o último me pegou tão bem que me senti uma mulher. E, se fosse uma, seria lésbica; acho que meu destino é ser estranho.
As coisas mudam ao meu redor muito rápido, há 3 anos estão reformando a casa do meu amigo, só ontem eu reparei que ela acabou há 5 anos. O pior foir no meu 2° ano do colegial, estranhei que pulamos de sistema nervoso para genética, me senti no 7° ano naquele momento. Não sei se gosto de ser assim.
Teve um dia que eu decidi arrumar um emprego para comprar uma cafeteira nova, mas alguém poderia roubá-la, então eu teria que gastar mais dinheiro com uma outra e com um apartamento mais seguro, desisti. Eu nem gosto tanto assim de espresso.
Certo dia fui num café pedir um cappuccino, para me tirar do mundo de ilusões e de vultos. Na mesa ao lado havia um homem de cabelosque cogitavam em serem grisalhos, tinha jeito de executivo. Ele me olhou e nem reparou que aquele dia estava nme passando por um membro da raça rival. Ficamos sentados lá até a tarde virar noite, pagou minha conta e não trocamos uma palavra sequer.
Beijou-me e me senti mulher, como a fantasia, então meus sonhos-reais vieram. Estava no meu quarto, era uma mulher ruiva e grávida, eu tinha um violão de mogno nas mãos. O relógio marcava 19h, enfim conhecia meu mundo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Passado Vivo

Ela escrevia diariamente a ele, era um amigo muito bom ao qual podia desabafar tudo de ruim no seu dia e encarar o outro com mais ânimo. Ele jamais leu uma das cartas, não era sua culpa, ela nunca as enviava. Sabia que ele não compreenderia sua paixão, tanto pela vida quando por ele. Ela escrevia sobre as melhores coisas que lhe acontecia, as ruins que intrigavam e o quando queria que assistissem aquele novo filme juntos.
Respirava-o; não gostava de passar muito tempo sem vê-lo. Não era um obssessão qualquer, tinha motivos. Ele ensionou-a as asas. Virou contestadora e sempre lutava pelo melhor para si. Ele não fazia isso, mas o fato de ser maior de idade influenciava ela.
Ela sentia saudades. E naquelas cartas ela mostrava a alguém que jamais leria aquilo, como era humana. Descrevia a poesia e as flores que encontrava pela frente como suas maiores alegrias. E as dificuldades e desigualdades, algo que ela pretendia lutar para mudar, e não tinha medo.
As cartas durante 1 mês e meio eram diárias, depois foi perdendo a frequência; até que terminaram encaixotadas no porão do passado da garota. Ela cresceu, tornou-se sucedida e, enquanto selecionava o que ia para a casa nova, encontrou a vida de uma garota sonhadora ali.
Ela leu, carta por carta; descobriu o que deveria ter feito todos os dias de seu passado, enviado todas.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Arquivo: Novo

Realmente, tudo vai mudar. "Vou botar fé. Onde eu quiser, eu vô lá. Tudo vai mudar", eu ainda me lembro dessa música. Pode parecer uma leta hiper simples, mas nesse contexto, ela é incrível.
Antes:
Eu dormia pouco, e quando dormia bem, não era o bastante. Tinha bloqueio criativo devido as várias tarefas a fazer e provas a estudar. Eu tinha medo de não seguir meu futuro como eu queria. Tinha que ouvir certas músicas para alegrar meu dia e me tirar do fracasso. Não fazia certas coisas pois achava que eram meio incoveniente, ou porque iam falar de mim. Me importava com o que as pessoas pensavam, e tentei ser melhor, mas não adiantava, eu só queria ver TV, comer e dormir.
Agora:
Eu consigo dormir o mesmo número de horas e acordar renovada. Minha vida deixou de ser o lixo que eu achava que era. Consigui voltar a escrever e a acreditar em mim mesma. Finalmente posso olhar para minha agenda e não ver as várias tarefas e provas agendadas. Eu cuido mais de mim. Eu posso finalmente falar o que quiser, sem me preocupar com comentários.

Estou, mais uma vez, mudando de ares. Claro, isso vai deixar algumas pessoas magoadas, vai mudar outras de lugar e vai dar novas amizades para algumas. Mas eu estou confiante.
É ruim largar a minha turma das 7h15 da manhã, vou sentir falta deles sim. Só que a vida é assim, as coisas mudam, o tempo todo.
Quer dizer, uma coisa não vai mudar, o carinho.

Jusa, Bah, Véri, Lari... sabe o que eu acho? Que vocês estão comigo onde mais importa, não no Villa Lobos, mas na vida!

domingo, 24 de agosto de 2008

O que toda mulher inteligente realmente deve saber

Ela não queria perder muito tempo com aquilo, então ela preferia esquecer tudo facilmente. Ele era um idiota, fazia tudo para conquistá-la, mas porque fazer tudo e depois ir direto para a separação? Ela lia um livro, acreditava nele. Uma "mulher inteligente" não perde tempo com "homens errados".
Aquele garoto era o típico de "homem errado"; não tinha rotina, seu emprego era primário e não fez faculdade. Um péssimo homem, ele gostava de ir à baladas e não tinha tempo para tomar café com ela a tarde.
O "homem certo" deveria ser estável e aberto para manter uma boa relação. Com o livro ela aprendeu que um relacionamento com rotina é o mais correto, e ele deveria pagar o restaurante.
Desistiu dele e de vários homens. Tinha 20 anos quando ela começou a procurar o "homem certo". Pouco saia e conhecia novas pessoas, durante 2 anos saiu com apenas 3 "canditados" - isso depois de dispensar exatamente 14 caras divertidos.
Na primeira conversa, ele deveria ter um vocabulários correto, uma conversa culta e falar de New York Times ou Folha de São Paulo. Ela tornava-se a tal mulher inteligente, segundo o livro. É melhor apostar apenas nos homens que tem potencial para ser certo, do que se jogar em um primeiro simpático que aparece.
Algumas vezes ela recebia alguns e-mails de Tiago, o primeiro dispensado por aconselhamento do livro. Falava de seus projetos concretizados, sua arte e as festas que eles poderiam ir juntos. "Ele tem 25 anos, deveria levar a vida mais a sério. Só me convida para festas, porque não me chama para um jantar ou simplismente um café?", ela se perguntava. Ela tinha 22 anos e achava que seu futuro deveria ser rotina com alguém rico.
Quando chegou aos 23 anos conheceu o "homem certo" na vernissage de um amigo; ele falou de NY Times, sobre os documentários que assistiu na Inglaterra e seu vocabulário era impecável. Convidou-a para um café, perto da empresa na qual ele é diretor, falou de suas viagens e empregos que dispensou para crescer. Convidou-a para jantar num restaurante francês que foi elogiado na GoWhere - foi até capa. Finalmente o livro deu efeitou.
Com 24 anos já morava com ele e quase conseguiu uma rotina. Formada hà 2 anos como jornalista, travalhava em uma boa revista e pretendia subir mais. Em uma dia, voltando de carro para a casa, imaginou o que seria sua vida se escolhesse Tiago. Ele era divertido, porém falava algumas palavras erradas e só lia Metro - às vezes Art Computer. Ela não teria um carro e teria que conciliar as escolhas profissionais.
Na mesma noite comemoravam seu aniversário de 25 anos, o namorado tinha uma surpresa: mudariam de casa. Um condomínio luxuoso, com lareira na sala e closet no quarto.
Uma tarde no trabalho, finalmente na revista mais lida do país, teria que entrevistar um artísta plástico conceito, novo na carreira mas revolucionário. Sua secretária procurou se informar de tudo e, quando entrou no escritório dele, se deparou com Tiago.
Ele tinha na mesa Art Computer, Zupi, Metro, Folha de São Paulo e Newsweek, sua sala era decorada com toy-art. Todo descontraído, comprimentou-a alegre. Ela lia as perguntas que um colega desenvolveu, não acreditava em suas respostas - ele continuava o mesmo. Perguntas técnicas, respostas simples; descobriu, finalmente, o artista que havia nele.
-Você não quer tomar um milkshake? - convidou ele.
-Han, milkshake? - espantou-se ela - Não prefere um café?
-Ou pode ser um Iced Làtte na Starbucks - ele respondeu -, está quente demais para um café.
-Aceito - ela disse.
A Starbucks era na frente do escritório, então foram a pé. Na mesa, Tiago olhava discaradamente aquela mulher inteligente. Falavam do que aconteceu nos últimos 5 anos, como ele aprendeu tanto sem faculdade e sobre os lugares que ela trabalhou.
Aquela mulher inteligente não conseguia se apaixonar por ele, o livro ensinou que não é assim. Ele foi à festas, conheceu ídolos, aprendeu coisas e se divertiu.
E ela? O que fez foi estudar e trabalhar; uma "mulher inteligente" não depende de um homem para se sentir segura, e sim de um status. Seu namorado - quase noivo - mal estava em casa, apenas dormiam lá, almoçavam em restaurantes e nunca puderam ter uma viagem de verdade.
Como seria a vida com Tiago? Cheia de imprevistos, mas totalmente divertida. Poderiam ir de ônibus à peaia e relaxariam juntos.
-Tiago, eu sei o que quer - ela disse -, está tentando me conquistar. Eu tenho namorado, é o homem certo.
-Bom para você - ele não teve medo -, finalmente a procura acabou. Me lembro que você sempre dispensava os melhores programas para achar um marido rico. Achou ele, né?
-Não fala assim - pediu ela.
-Katy, você só estudava - respondeu ele -, o que foi sua adolescência?
-Dedicação - ela disse.
-E a vida? - indagou ele.
Deixou-a sozinha, que permaneceu ali, pensando. O livro lhe sugeriu um caminho fácil para achar o "homem certo"; mentira, aquele era o errado. Pois ela perdeu sua vida apenas dispensando festas e recusando experiências.
Tiago, o tal "homem errado", porém vivido, saiu por aquela porta e ela deixou. Ela foi para casa e fez sua mala. Ligou para Tiago assim que chegou a um hotel:
-Quer ir ao cinema?

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Os sem-uniforme

Antes, ela fazia questão de esquecê-lo. Hoje ela não o usa mais.

Conhecer aquelas novas pessoas melhorou, era seu novo mundo. Ela sabia que ia mudar e melhorar.

O vaso das flores roxas ficava mais interessante a cada dia.

Hoje, ela conheceu sua nova vida. E daqui 15 minutos, ela vai se encontrar com a melhor pessoa dela, o sentido da sua antiga vida e o da atual.