quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Passado Vivo

Ela escrevia diariamente a ele, era um amigo muito bom ao qual podia desabafar tudo de ruim no seu dia e encarar o outro com mais ânimo. Ele jamais leu uma das cartas, não era sua culpa, ela nunca as enviava. Sabia que ele não compreenderia sua paixão, tanto pela vida quando por ele. Ela escrevia sobre as melhores coisas que lhe acontecia, as ruins que intrigavam e o quando queria que assistissem aquele novo filme juntos.
Respirava-o; não gostava de passar muito tempo sem vê-lo. Não era um obssessão qualquer, tinha motivos. Ele ensionou-a as asas. Virou contestadora e sempre lutava pelo melhor para si. Ele não fazia isso, mas o fato de ser maior de idade influenciava ela.
Ela sentia saudades. E naquelas cartas ela mostrava a alguém que jamais leria aquilo, como era humana. Descrevia a poesia e as flores que encontrava pela frente como suas maiores alegrias. E as dificuldades e desigualdades, algo que ela pretendia lutar para mudar, e não tinha medo.
As cartas durante 1 mês e meio eram diárias, depois foi perdendo a frequência; até que terminaram encaixotadas no porão do passado da garota. Ela cresceu, tornou-se sucedida e, enquanto selecionava o que ia para a casa nova, encontrou a vida de uma garota sonhadora ali.
Ela leu, carta por carta; descobriu o que deveria ter feito todos os dias de seu passado, enviado todas.

2 comentários:

Anderson disse...

lindo texto... como sempre impecável! ^^

depois de alguns anos pensando, descobri que nunca devemos esperar as oportunidades baterem a nossa porta e sim que devemos sempre buscá-la pra fazê-la bater em nossa porta...

sorry se ficou meio confuso xD fica difícil descrever o que quero dizer, sendo que estou um tempo sem estudar e sempre fui um tanto ruim em português...

beijos May! te amo! ^^

Bruno Cunha disse...

Ótimo texto ;)

Curto e direto, mas ao mesmo tempo bem trabalhado...
e com uma bela mensagem oculta (mas nem tanto)

Adoro seu estilo de narração![2]

Beijos