domingo, 2 de novembro de 2008

Novo

Eu faria linhas bonitas. Não sei como, mas eu as desenharia. Não somente e simplismente retas, eu daria um certo movimento à elas. Merecem sair do papel, daquele jeito inusitado que ocorre todas as horas que eu não espero - se eu esperasse não seriam inusitadas. Não compreendo como eu poderia seguir o roteiro normalmente sem nenhuma objeção.
A verdade é que meu peito dói e minhas mãos suam. Eu não deveria me importar, mas eu me importo. Filme. Para algumas pessoas isso acontece, não sei se isso aconteceria um dia para mim. Uma cena curiosa que eu nem ouso desenhar, ainda. Eu não poderia estar me importando.
Não sei como são os outros desenhos, nem os que gostaria de ler, mas eu me importo tanto quanto não deveria. Eu leio três histórias ao mesmo tempo e não as confundo, uma delas diz repeito à mim, mas eu não sei o que diz sobre mim. A narrativa é cheia de rodeios, como esta, então é complicado para decifrá-la.
Parece uma novela, mas a tela da TV foi quebrada por uma sandália estérica que voou da minha mão - não gosto de falsas histórias. Porque a maioria delas parecem fajutas. Os olhares e toda a dedicação do autor, todo dia é o último capítulo. Mas é sempre prolongado por conta da audiência, eu e mais duas pessoas. Minha mãe, claro, ela sempre ali com seus cabelos grisalhos e sua receita de bolo de chocolate infalível.
Eu desenho palavras no meu caderno vazio, mas eu não gosto de lê-las depois. Prefiro deixar que elas amadureçam ali e depois que venham me enfrentar. Minhas mãos suam enquanto eu não desenho, as palavras voam enquanto eu espero a hora que os desenhos aconteçam.
Algo me prende acordada e eu não o conheço. Conheço apenas seu timbre. Gostaria de conhecer outras coisas as quais eu não deveria me importar, porque, afinal de contas, quando eu desenhei isso pela primeira vez foi diferente de como o filme está sendo rodado.

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