domingo, 2 de novembro de 2008

(sendo sincera, eu sequer consegui dar um título)

Enigmático, era essa a palavra que eu gostaria de usar na nossa próxima conversa, uma indireta ao jeito de ser dele que me atraia. Embora eu não demonstrasse medo, tão pouco interesse, ele sabia escolher as palavras. Talvez lesse meus pensamentos, pensei muito sobre isso, mas cheguei a conclusão de que eu talvez fosse mais enigmática. Gostava dos rumos que nossas conversas tomavam, os olhos dele ansiavam por muitas coisas, eu sempre soube disso.
Quando tive a oportunidade, na carona em um dia chuvoso, não hesitei em irritá-lo. Ele escondia verdades de mim, eu gostaria de saber a razão.
-Eu sei o que você está tentando - ele me disse rindo daquela maneira reconfortante -, mas não irá conseguir. Eu escondi muito bem.
-Até de si mesmo, pelo visto - eu o fitava intensamente, sentia-o arder.
-Você sabe das coisas que também esconde - ele dirigia devagar apenas para aquilo durar mais.
Talvez tivesse razão. Seus olhos me caçavam, eu me sentia perdida naquilo. Tentávamos parecer normais, como se alguém estivesse no banco de trás. Era desconfortável. Eu estava presa e não agia naturalmente. Queria entender do que estávamos fugindo ou, pelo menos, nos escondendo.
-Nós escondemos coisas de nós mesmos - ele disse baixo, talvez porque nem ele gostaria de ouvir o que pronunciou, sabia que era verdade, e isso ele não queria admitir.
Então eu percebi o que nós temíamos. Ele o temia e eu me temia. Era horrível notar aquilo. Mas as mãos tremulas e vertigens a qualquer hora não eram normais. Ele descobriu primeiro. Soubera da verdade antes de mim.
-Você acha possível? - perguntei receosa, ele teve mais tempo para pensar sobre o assunto.
Fez um tempo de silêncio. Seu olhos percorriam por toda a estrada. Enigmático.
-Eu percebi que... você é tão enigmático - eu confessei.
Fitou-me tentando encontrar razão naquilo. Era inocente como me observava.
-E você é tão persuasiva - agora estava atendo as linhas brancas pintadas à direita da estrada.
Tentei me concentrar na música. Não conseguia. Eu descobrira a verdade.
-É claro que é possível - ele finalmente respondeu -, você gosta de decifrar enigmas.
Verdade. Eu adorava. Ainda mais vindos das meias-frases dele.
Engoli seco, eu queria compartilhar o que eu sabia, mas era terrível mais para conseguir facilmente. Após um momento doentio, eu escolhi as palavras.
-Quando é desafiado - eu pronunciei receosa - seus olhos queimam e brilham intensamente que me fazem acreditar que você é meramente um sonho.
E quando isso ocorria, a sensação que me tomava era incrível.

Um comentário:

Anderson disse...

Nossa! *o*

eu realmente preciso melhorar meus comentários, por que após dois posts desse calibre no mesmo dia, fico até pensativo sobre o que escrever pra não acabar dizendo sempre a mesma coisa...

e acho que vou fundir o meu cérebro, por que num consigo achar nada pra falar...

OMG to sem palavras mesmo... to aqui a quase 20 minutos pensando em algo, mas não dá... só sei dizer que estão perfeitos, os dois! *___*

e vou começar a ler o livro que eu baixei, depois eu procuro o livro mesmo pra comprar por aqui...

beijos May!

te amo!