sábado, 27 de dezembro de 2008

Sonho

Ela tinha o celular nas mãos mas não sabia o que fazia com ele, decidiu então rezar. Sua avó, ao seu lado, sentada junto do apoio da escada, disse assustada:
-Seu pai está aqui.
A garota parou, olhou perdida para algum lugar. Antes que conseguisse pensar "Então peça para ele cuidar da minha prima", ela sentiu algo atrás de si. Grande, como ela sempre imaginou. Abraçando-a. Ela desejou aquele calor para sempre.
-Que abraço apertado - a voz que ela mais quis ouvir em toda a sua vida disse, como se fosse algo comum para ela. Como se fosse comum para esse mundo.
Aquela voz, era parecida com a de seu tio, mas tinha algo mais nela... um traço desconhecido. Nunca ouvido antes. Era simplesmente a voz de seu pai, aquela voz que ela nunca pode guardar.
Aquele calor encantador, o melhor abraço. Ela não viu seu rosto, mas aquilo era o que ela queria para sempre.

Abriu os olhos e se viu na realidade. O quarto da prima. Escuro. Bom dia.
"Que abraço apertado", ela pensava com a voz dele. Não queria jamais esquecê-la. Parecida com a de seu tio. "Que abraço apertado", "Que abraço apertado", a mais linda voz do mundo.
Então nos pensamentos para gravar aquela voz em sua cabeça, ela começou a ouvir sua própria voz dizendo a frase, "assim não vale", ela pensou, "eu não posso esquecer a voz dele".
Até que, depois de um certo tempo pensando naquele abraço que ela sempre esperou todos os dias desde o primeiro sonho com seu pai, ela a esqueceu.

Mas jamais o calor e a surpresa do abraço.
"Que abraço apertado", ela deseja ouvir tantas outras vezes.

2 comentários:

Anderson disse...

ai que lindo! *___*

Meu Deus que texto maravilindo! embora triste T__T

mas é lindo demais!

não é a toa que você tem a oportunidade de publicar na Front!

beijooos

· Dany Souza disse...

Adorei o texto. Muito lindo!
Você escreve muito bem.
O blog está ótimo. Beijoooos!

www.secrets-specials.blogspot.com