terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Srta. Molina - Primeira parte

Atendendo aos pedidos do Sr. Mario Cau por mais textos autoriais, espero que ele não fique bravo por não ser só meu, vou postar meu último trabalho da escola que, por acaso, é o meu texto mais recente. Para deixá-los a par de tudo e não estranharem como o texto é estranho, tenho que dizer que é uma história que se passa na era romântica(se você já leu "Memórias de um sargento de milícias", é dessa época que eu estou falando) e a professora deu várias ordens loucas. Eu tentei. Espero que vocês gostem e espero que a gente receba nota máxima!



De todas os dias frios do Rio de Janeiro, aquele era o mais gelado. Não era muito comum dias como aquele, principalmente pelos acontecimentos na família Molina. Sra. Molina falava alto, como de costume, com Sr. Molina na sala, este achando que as garotas não ouviriam, apesar daquele assunto não ser sigiloso.
-Sr. Molina - dizia Sra. Molina -, temos que apresentar Sr. Guerra logo para a Marília, nossa menina já completou seus 17 anos, se ela não casar logo, ficará encalhada.
-Não há pressa - disse Sr. Molina, calmo -, minha senhora, Marília ainda é jovem, não há porque ter pressa.
-Sr. Molina, você não compreende as necessidades das garotas! Imagine Helena! Ela tem seus 20 anos e ainda não se casou com o Sr. Figueiredo. Sr. Molina, eu avisei para conversar logo com o moço. Ai se ele resolve se casar com aquela garota horrível da família Lisboa.
-Acalme-se, minha senhora, suas filhas são muito bonitas e prendadas, não será difícil para elas casarem...
Marília ouvia tudo ao lado de Margarida, sua irmã mais nova. Não se preocupava tanto em casamentos, afinal, Helena teria realmente que casar-se antes para o tal de Sr. Guerra ser seu noivo. Ela levantou-se da cadeira da cozinha e foi em direção à sala, havia programado ir a cidade, e ouvir aquela discussão era inútil.
Ao chegar na porta da sala a campainha tocou e Marília aprontou-se para receber, não esperavam ninguém, mas desejava que não fosse alguém importante.
-Marília! - disse Fernando, sorrindo ao vê-la - Eu queria mesmo falar contigo.
No final das contas, era alguém que ela desejava ver. Fernando, seu primo e amigo, era a visita mais desejável o possível; eles sempre passeavam juntos pela cidade.
-Fernando! - ela disse contente - Eu estava de saída, vou à cidade. Quer me acompanhar?
-Claro!
-Que maravilhoso, Fernando! - disse Sra. Molina - Sempre em casa quando Marília precisa! Imagine, uma mulher de família saindo de casa desacompanhada!
Despediram-se de Sr. Molina e Sra. Molina, que voltaram a falar sobre o futuro casamento das filhas. Fernando falava nos livros sobre engenharia que leu na última semana.
-Tia Lurdes ainda pensa em te colocar no seminário? - Marília perguntou, cautelosa.
-Claro - ele perdeu o ânimo -, ela ainda não desistiu da idéia, pensa até em me levar lá no próximo mês.
-Você disse a ela o que realmente gosta?
-Sim, mas você sabe, como meu pai não está aqui, eu não tenho apoio.
-Eu posso pedir para papai falar com ela, você sabe como eles se dão bem. E ele aprecia muito o progresso.
-Eu adoraria.
Caminharam mais um pouco. Marília morava na orla do Rio de Janeiro, junto das casas das pessoas mais importantes da cidade. Fernando morava no bairro ao lado, também uma área rica. Ambos cresceram pulando corda no grande quintal da família Molina. Eles sempre deram-se muito bem. Mas, sem um motivo específico, o carinho de Fernando aumentou quando mais velho. Especialmente naquelas últimas semanas em que passavam horas conversando na praça da igreja.
Entraram na loja de armarinhos, entre tantas fitas coloridas, Fernando ajudava a garota a escolher uma. Haveria uma festa da paróquia dentro de alguns dias, o adereço iria ajudá-la no penteado.
-Pode me perguntar sobre várias - Fernando dizia rindo -, eu vou sempre dizer que todas ficariam lindas no seu cabelo. Leve todas e as use, dê a esses pobres objetos uma alegria na vida.
-Fernando, assim não me ajudará. - Marília dizia ruborizada - Eu preciso de somente uma, não posso colocar todas de uma vez! Iriam me achar leviana por estar tão chamativa.
-Sua beleza já é chamativa, Marília.
Decidiram pela lilás, que combinava com os pequenos bordados do vestido que ela tencionava usar. Fernando a cobria de elogios, mais que o normal; antes elogiava apenas sua inteligência ou abilidade no jogo do ciso.
Alguns dias mais tardes, logo depois do almoço, o primo apareceu na casa da garota, que o recebeu. Passaram horas no quintal conversando sobre livros e jogando ciso, ao qual Marília venceu todas as partidas. Ela sentia-se um pouco mais vermelha que o normal, talvez por estar lisonjeada todos os minutos que passava ao lado do garoto. Ela decidiu entrar em seu jogo, lhe disse alguns elogios que sempre reparou, mas jamais teve coragem de citá-los.
A noite já chegava quando Sra. Molina chamava a garota para dentro, mandando ir se vestir; afinal, Sr. Guerra jantaria com eles naquela noite. Fernando fora convidado também, relutou um pouco, cedeu ao pedido quando o tio o fez.
Após algumas horas esperando na sala, Marília desceu as escadas e juntou-se ao primo na sala. Suas irmãs ainda arrumavam-se e seus pais conversavam na sala de jantar.
-Gostei da renda do vestido - Fernando comentou, gentil como costumava ser.
-Obrigada, eu gosto muito dela também. Mamãe me obrigou a usá-lo, disse que eu tenho que estar adorável para esse tal de Sr. Guerra me conhecer.
-Mal posso esperar para conhecer este homem - Fernando foi, inexplicavelmente, irônico.
No jantar a garota fora obrigada a sentar-se do lado de Sr. Guerra, seu primo fora posto muito longe dela, o que não a agradou. Era perfeitamente visível que aquele senhor havia gostado dela, não apenas por sua beleza, mas também por ter uma conversa de assuntos inesgotáveis. Ela desejou imensamente que não fosse tão inteligente como o primo ressaltava.
-A renda de seu vestido é adorável, Srta. Molina - Sr. Guerra comentou, sua dicção era muito culta, digno de um português de nascença -, lembra-me muito as rendas as senhoras de mais alta classe de Portugal.
-Obrigada, Sr. Guerra - a garota tentava ao máximo não demonstrar seu desgosto -, aprecio seu gesto gentil.
Quando não sorria ao nobre homem, sua mãe lançava-lhe alguns olhares descontentes. Se sorria à ele, Fernando parecia desconfortável. Ela não sabia a quem agradar. No final da noite foram feitos muitos convites para Sr. Guerra voltar a jantar com eles o mais breve possível, coisa que Marília não gostaria que desse certo.
Todos aprontavam-se para dormir enquanto a garota e o primo conversavam baixo na sala, falando do jantar e de como o convidado era inconveniente. Apesar de altamente polido, ambos achavam aquilo insuportável, como se só o fizesse para tentar impressionar a moça.
-Eu queria poder estar no lugar dele - Fernando disse, podia-se ouvir um pouco de vergonha em sua voz -, sentar ao seu lado, fazer planos de casar-se com você.
A palavra "casar" assustou Marília. Ela olhava assustada para o primo e após alguns segundos conseguiu responder-lhe.
-Fernando! Não diga isso! Nós somos primos, lembra-se?
-Marília, eu falo sério. Eu não suporto ver um homem tão presunçoso querer casar contigo, porque eu gostaria de ser esse homem!
Ela fez um silêncio constrangedor; estava assustada, mas seus mais profundos sentimentos a contestavam. O primo tocou em sua mão e a segurou levemente, levantou-a na altura no rosto e a beijou.
-Fernando, eu... acho isso um tanto impróprio. O que diriam meus pais? O que diria sua mãe e a idéia de te fazer padre?
-Marília, esquece essa idéia de padre, eu não desejo isso. Eu desejo você.
-Fernan...
-Marília - ele a interrompeu -, eu sei que você não é indiferente a isso! Eles não precisam saber.
-Fernando - ela levantou-se do sofá -, vá, está tarde. Amanhã nós conversamos.
E assim o fez. No dia seguinte ali estava o primo, no jardim de sua casa. Ele contou que não havia dormido direito, apenas pensava no que a garota diria. Marília estava mais calma, confessou que ele realmente sabia sobre os pensamentos dela.
-Você os leu - ela disse tímida -, e os leu quando eu contestava comigo mesma sobre isso. Nós devíamos sentir vergonha disso, sabia?
-Não se preocupe com isso, Marília... porque eu não me sinto nem um pouco envergonhado.
Beijou-a no rosto, o que a fez ruborizar. Resolveram jogar ciso, o passatempo favorito de ambos. Marília perdeu várias partidas, aqueles olhares a deixavam sem concentração.

Escrito por Mariana Guerra e Ariane Tamara Francisco

4 comentários:

Telma disse...

Ahh Fernandos.. eles tem uma capacidade em comum: deixar garotas totalmente sem jeito!

;)

bjo

And Yoshi disse...

realmente um texto ótimo! *__* não é só o Sr.Cau que ficará contente, pois eu estou também! =D

um amor entre primos é algo contestável (ou seria contextável?) porém não o acho nada grave... nunca se sabe quem você irá amar, então não julgo ninguém por causa disso...

se as pessoas se gostam, não há barreiras que possam impedí-los!

beijos May!

Mariana Guerra disse...

Futuramente vai dar para entender porque escolhemos primos.
Escrever esse conto vai me ajudar com outra história de primos(nos tempos atuais), faz muuito tempo que eu quero terminar!

Querem fazer as apostas pra que nota em tiro?
Como estudante que NECESSITA passar de ano, e passar MUITO bem em literatura, eu chuto uns 85%...

Marina disse...

Heeeey! Lindo texto!
Algumas coisinhas me lembraram orgulho e preconceito, cuidado com isso!

Amo vc! Beeeeijo