sábado, 28 de fevereiro de 2009

Srta. Molina - Terceira parte

Perdeu-se a freqüência em que Fernando aparecia na casa da garota, mas, em compensação, mandava-lhe muitas cartas por meio dos serviçais. Trocavam duas ou três por dia e encontravam-se semanalmente sem a família saber. A desconfiança de Sra. Molina permanecia ao ver a filha sempre escrevendo ou recebendo correspondências. Havia interceptado algumas, mas falavam apenas de livros e do desejo de Fernando se tornar engenheiro.
Sr. Guerra jantava toda semana na casa de Marília, sua mãe começou a levá-la muito no alfaiate, sempre encomendando vestidos cheios de rendas e bordados para a moça ser atraente aos olhos do futuro noivo. Uma noite, com um de seus novos vestidos, Sr. Guerra foi deixado sozinho com Marília na sala, por insistência de Sra. Molina.
-Marília - disse o homem, culto como de costume, apesar do tratamento íntimo -, chame-me de Dirceu, somente. Já nos conhecemos a um bom tempo, não precisamos de tanta formalidade.
-Meu caro - ela foi mais polida ainda -, eu prefiro manter as formalidades, portanto, sugiro que conforme-se por me referir ao senhor como... Sr. Guerra.
-Então, vou chamar-te se Srta., novamente. Srta. Marília, saiba que aprecio muito como está vestida esta noite.
Na tarde seguinte, Fernando visitou Marília, depois de vários dias sem vê-la. Levou-a para ver o mar, que tanto adoravam. Apesar do sapato inadequado e o longo vestido, logo chegaram a praia vazia. Sentaram-se em uma pedra e conversaram sobre a noite anterior.
-Fernando - ela disse triste -, eu não suporto mais a presença daquele homem. Minha mãe quer me casar logo com ele, parece até que ela quer fazer isso antes mesmo que Helena e o Sr. Figueiredo fiquem noivos.
-Minha querida, eu não gosto do rumo que as coisas tomaram. Eu fiquei tão distante de você! Fico dias sem te ver. E aquele homem se jogando sobre você.
-Fernando, eu acho que isso não vai dar certo...
-Marília, isso vai dar certo! Eu vou fazer dar certo. Eu quero ficar com você.
Fernando abraçou sua cintura e aproximou seu rosto do dela. Deu beijinhos em sua face, aproximando-se cada vez mais de sua boca, até que tocou seus lábios. Marília hesitou por alguns segundos, mas correspondeu ao beijo, abraçando-o também.
Poucas semanas mais tarde, Sra. Molina convidou novamente Sr. Guerra para jantar. Marília fora obrigada pela mãe a usar um vestido ainda mais caro, menos simples que seu gosto e com um sutil decote. Ela mal podia respirar usando aquele espartilho apertado; tinha certeza que era alguma ocasião muito importante, era a segunda vez que o usava, a primeira fora numa festa do governador.
Após o jantar, Marília ainda estava com fome, estava tão apertada que mal conseguira engolir. Foi deixada a sós com o nobre senhor na sala de jantar, enquanto a família conversava na sala.
-Está deslumbrante esta noite - ele comentou -, Srta. Marília.
-Fico lisonjeada - ela disse pausadamente -, Sr. Guerra.
-Srt.a Marília, eu considero agora um momento muito oportuno para pedir-te novamente que essas formalidades sejam esquecidas.
-Sr. Guerra...
-Srta. Marília - ele a interrompeu -, eu a aconselho a esquecer este tal de Sr. Guerra. Eu sou Dirceu. E, após todos esses meses freqüentando sua casa, descobrindo o quão encantadora você é, Marília, eu decidi não esperaram mais. Quero que aceite meu pedido de casamento.
-Sr. Guerra, eu...
-Dirceu - a interrompeu novamente.
-Sr. Dirceu, eu realmente aprecio seu gesto gentil e educado, mas não acho aconselhável noivar tão cedo com o senhor. Minha irmã mais velha ainda nem firmou o noivado com o Sr. Figueiredo, depois de tantos anos mantendo contato.
-Marília, eu conversei com a Sra. Molina, ela disse que não há problema.
-Desculpe-me, Sr. Guerra, eu...
-Dirceu.
-Sr. Guerra, eu recuso o seu pedido. Mas agradeço o gesto gentil de fazê-lo.
Marília retirou-se da sala e foi até o quarto, Sra. Molina a seguiu e exigiu uma explicação por abandonar deseducadamente o nobre senhor na sala.
-Mamãe, eu não desejo casar com aquele senhor!
-Marília, eu não quero saber dos seus desejos! Você tem que ficar noiva dele! É um acordo de anos na nossa família! Você sabe que Helena não foi a escolhida por que o Sr. Figueiredo demonstrou interesse por ela antes.
-Mamãe, o que a Helena vai pensar se eu noivar antes que ela?
-Se o seu problema é a Helena, eu vou fazer o que deveria ter feito há meses, você vai para o internato até sua irmã ficar noiva do Sr. Figueiredo.


Escrito por Mariana Guerra e Ariane Tamara Francisco

2 comentários:

Marina disse...

ôooo, cadê o final??????

Tô curiosa!!!!!!

And Yoshi disse...

OMG tá ficando demais isso!

que não tenha um fim trágico por favor! nem triste!

mas tá ficando muito bom isso...

tá lembrando aquelas Radio Novelas sabe???

demais! =D

beijos May! (L)