segunda-feira, 2 de março de 2009

Srta. Molina - Quarta parte

Sra. Molina cumpriu a promessa, na semana seguinte Marília estava de malas prontas. Teve uma tarde para se despedir de algumas poucas amigas, todas dos bairros próximos. Quando voltava para casa, decidiu fazer o caminho pela rua do primo. Encontrou a tia na varanda fazendo bordado, ela avisou-lhe que Fernando estava na biblioteca lendo. A garota entrou na casa e foi até lá, ele levou um susto quando percebeu que ela encontrava-se a sua frente.
-Marília! Que saudade, minha querida!
-Você parece tão mais velho... lendo como se já fosse um homem.
Ele riu, timidamente. Ela aparentava tristeza, nem parecia sadia. Ele entendeu que era pela ida ao internato, chamou-a para sentar em seu colo.
-Eu não quero ir! Vou ficar tanto tempo sem te ver, Fernando!
-Não importa, eu te amo, Marília. É isso que vai me fazer resistir a distância.
Fernando tocou levemente seu rosto, olhou-a. Marília era linda, ele sempre soube disso, mas a apreciou como se fosse a última vez que se veriam. Seu cabelo era moreno, comprido e ondulado, parecia até que ela tinha descendência espanhola; seus olhos eram redondos e profundos, desarmava qualquer defesa do garoto; os lábios eram desenhados perfeitamente com o tom mais vermelho que qualquer tinta de pintor renascentista; suas maçãs eram rosadas e o queixo tinha uma forma perfeita. Fernando gravou cada detalhe em sua memória e a beijou.
-Vou te escrever sempre - ele disse, ainda abraçando-a.
-Eles não aceitam cartas de quem não é da casa, mas Margarida prometeu me visitar toda semana, você pode enviar por ela. E eu vou voltar a cada duas semanas, para manter contato com o Sr. Guerra... mas eu vou pedir a Margarida que sempre insista por sua presença nos jantares.
-Vou procurar te ver sempre!
No dia seguinte Marília estava instalada no internato. Haviam várias garotas também descontentes com a situação, estar longe de casa era ruim, mas estar longe dos namorados era pior ainda. Várias delas estavam lá pelo mesmo motivo que Marília, um relacionamento indesejável.
Logo na primeira semana Margarida a visitou levando uma carta de Fernando, a qual ela não demorou a responder. Os dias iam passando devagar, ela fez amizade com duas garotas, mal conversam por conta do desgosto de Marília por aquele local.
As semanas iam se arrastando; Margarida fazia-lhe visitas, a garota jantava sempre com Sr. Guerra, poucas vezes podia ver Fernando. Depois de muito tempo presa naquele local, Sr. Guerra teve um compromisso no dia em que ela estaria em casa, e passou a tarde com ela no quintal, jogando ciso e brincando com o cachorro que Helena pediu para adotarem.
Fizeram planos para quando ela pudesse sair do internato. Sr. Molina havia conversado com Tereza, mãe de Fernando, e ela aceitou, após muita insistência, que o garoto se tornasse engenheiro. Ele iria estudar na Europa no próximo ano, levaria Marília consigo para se casarem lá, a família aceitando ou não. O primo não se importou de beijá-la várias vezes, mesmo sabendo que o quintal era um local perigoso.
A semana seguinte foi perfeitamente normal, e a carta entregue por Margarida dizia justamente sobre a provável viagem para a Europa. Marília contou a irmã sobre os planos e conversaram a tarde toda sobre Fernando.
Um dia antes da eventual volta de Marília para casa, Margarida foi buscá-la com uma notícia. Fernando havia sido encontrado morto na praia no dia anterior. Sem motivos, sem pistas e sem despedida. Elas passaram algumas horas sozinhas no quarto, Marília não conseguia pronunciar uma palavra. Margarida tentava palavras de consolo, mas a irmã olhava para o vazio.
-Eu acho que foi o Dirceu Guerra - Margarida disparou timidamente.
-Trate aquele homem por Senhor, Marga... - Marília disse sem pensar - Você disse que o Sr. Guerra matou o meu Fernando?
-Eu disse que acho! Jamais ouvi coisas boas sobre ele, tirando os elogios que mamãe faz. A melhor coisa que ouvi foi sobre o dinheiro dele. Mas teve um dia na mercearia que o Sr. Souza disse que ele já tinha matado dois escravos, só chicoteando. Ouvi até boatos que ele matou um homem lá em Portugal, que ele não é flor que se cheire, é corrupto. Não duvido que ele tenha sentido ciúmes e foi logo acertar as contas com o Fernando.
-Margarida, você tem certeza?
-Irmã, a mamãe até deixou que você volte definitivamente para casa. Não desconfio que foi ela tenha algo a ver com isso.
-Margarida! Cuidado com o que diz de nossa mãe!
-Marília, eu só uma criança de 13 anos, eu sei. Mas eu não sou boba.

Escrito por Mariana Guerra e Ariane Tamara Francisco

2 comentários:

And Yoshi disse...

T___T

OMG que triste!!!

não acredito no que aconteceu no fim!!! ;.;

eu até já sabia que o final num ia ser feliz, mas assim é totalmente trágico! x_x

poxa, bem que vocês poderiam fazer um final alternativo né? xD

e quanto a redação ficou excelente, embora eu particularmente não tenha gostado do fim, ficou muito bom! adorei! ^^

beijos May! foi bom te ver hoje! =D

Marina disse...

AFFFFF, que coisa mais trágica!! Pobre Fernando....

Depois, se vc me permitir, tenho umas sugestões a fazer!!

E tenho a impressão que esse não foi o final, estou errada??

AMO!

Beijos!!!