sábado, 4 de julho de 2009

Alguns metros

Neste exato momento, não posso julgá-lo pelo que faz. São quatro e dez de uma quinta-feira aparentemente monótona. Todas s quintas eu tenho aula de inglês, às quatro. Menos hoje, sentada debaixo da minha árvore favorita nessa praça, matei aula. Então ele do outro lado do lago não faz algo pior.
O sol já está baixo, está tocando alguma MPB na rádio da cidade, a única coisa que me incomoda são os gritos das crianças em uma creche próxima. Eu vim aqui para ler, mas nem ao menos isso estou fazendo.
Ele pisa na bituca de cigarro que acabou de jogar no chão, ele usa aquele All Star de couro branco, como todos os dias. Logo acende outro, entre o indicador e o dedo médio, traga. Observa a pequena chama consumindo a ponta do cigarro. A fumaça sai lentamente de sua boca, está calmo.
Aquela é toda a sua diversão já faz um tempo. Ele sabe o que faz de sua vida. Sendo sincera, com aquela pose, com um cigarro de menta, não há uma garota bobinha que resista. Não tem reputação, nem dinheiro. Não importa, ele tem sua armadilha.
Então o artista incompreendido se levanta, coloca a mochila nas costas e caminha tragando mais um pouco, até sua casa cheia de problemas escondidos.

3 comentários:

clarinha disse...

muito bom :)

Golfinho disse...

Isso é batota! Mistura de pessoas que vai conhecendo e o que elas te dizem. Essa do cigarro de menta... Não te conto mais nada.

D.D. disse...

Hum, pois, certo.