segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Outro recado

Você não precisa me dar nada em troca. Não precisa me devolver favor algum, nem telefonemas. Só me devolve o livro.

domingo, 30 de agosto de 2009

Desencontros

45min26s
—Então, aconteceu uma coisa engraçada semana passada.

-68h15min09s
"Um cara veio me cumprimentar e eu não reconheci ele de cara. Disse que gostava do meu trabalho. Daí que eu olhei bem pra cara dele e eu reconheci"

46min03s
—Eu tava com receio de te contar.
—Não, tudo bem.

46min58s
Os batimentos cardíacos aumentam, o estômago revira, os pêlos se arrepiam e o canto direito do lábio se estica em um leve sorriso.

46min59s
—Mas é uma estranha coincidência.
—Achei que talvez isso te deixasse mal.
—De jeito algum. Não me faz mal.

47min11s
—Apenas me causa um sentimento.
—Entendo.

-68h16min20s
Olhos abertos apesar de estar deitada há duas horas.

47min16s
—Às vezes me acho idiota por continuar nesse jogo insano.
—Você está falando com um especialista em jogos insanos.
—Estamos competindo.

-68h03min43s
Ele fita o vulto dela no meio da escuridão de sua retina.

47min38s
—Ficamos a mercê deles.

+2h06min01s
Seus dedos digitam: "ele me contou do encontro engraçado".

+2h15min07s
Ele se pergunta se aperta send ou não.

sábado, 29 de agosto de 2009

Recado

Não, eu não me importo com isso. É sério. Se você é fraco, isso não me afeta. Apenas me impressiona, você consegue ser mais fraco que eu. Certo, pode se esconder. Me esquece, até. Mas antes, por favor, devolve o livro que eu te emprestei.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Escrevinhando

Eu invejo a amizade entre o papel e a caneta, eu apenas obrigo esta a fazer o que quero. Ela está apaixonada pelo papel, por sua vez, é tímdo, deixa a caneta riscá-lo também sem objeção. Assim eles ficam por dias, páginas e capítulos. A timidez nunca é quebrada, até que a caneta se cansa do papel e a tinta acaba. Troco de caneta e volto a escrever, e esta nova também se apaixona pelo papel sempre tímido. Até gastar meu bloco de sulfite e comprar outro.

domingo, 23 de agosto de 2009

Desculpas

Me perdoem pela escassez de posts.

Será que alguém podia me aparecer com algo total fora do normal para me fazer escrever?!

Notas da semana: as aulas voltaram, desde então não pára de chover. Eu encontro a The todos os dias às 19h, o que torna meu dia bem melhor. Estou tentando escrever algo para postar faz alguns dias, mas não sai nada. Viciei em Regina Spector, Cat Power, Madeleine Peyroux e Belle & Sebastian. Peguei na biblioteca um livro de Arthur Rimbaud e me apaixonei pela bio dele.

Boa semana :D

domingo, 16 de agosto de 2009

Vermelho sangue

As mil rosas que joguei aos teus pés, mil rosas feitas de sangue. Meus lábios dormiam quando meus olhos passearam em seus sonhos. Lábios discretos que dormiam, não mais. Adormecidos, eram seu sonho. Milhões de pétalas despencaram de seus pés, elas voltam a ser pele.
A pele que te toca todas as manhãs. E a noite são os lábios, eles dormiam mas as rosas falavam demais, invejavam demais. Rosas vermelhas de sangue invejam lábios rosas que são seus. Vermelhas, também suas.
Não tão sua quanto eu.
Em teus pés, invejosas de sangue foram deixadas. Os inocentes dormiam, um sonho adormecido nos teus olhos. Quando os viram, você sonhou com eles.
Lábios, não tão seus quanto o sangue.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fitei intensamente aqueles olhos cor de mel e fiquei presa naquele momento para sempre.

domingo, 9 de agosto de 2009

"Morreria, se lhe fosse vedado escrever?"

A minha leitura de um trecho de uma carta escrita por Rainer Maria Rilke.

"relate... sua fé em qualquer beleza..."
São três horas da tarde de uma quarta-feira qualquer em julho, em uma cidade de apenas trinta mil habitantes, interior de São Paulo. Na entrada de uma casa, entre um extenso gramado ainda verde, uma árvore colore sua copa com tons vermelho-alaranjados. No galho mais baixo uma de suas folhas ganha um tom de morte mais marrom e, sem fazer alarde, é a primeira daquele outono a cair da árvore.

"...as imagens de seus sonhos..."
Perdida num mar de pessoas conhecidas mas, ao mesmo tempo, estranhas, andava pelos corredores da escola, a procura da sala onde a cordenadora estava à minha espera. Ao passar pela possível sala, meus olhos encontraram um homem de ombros largos, alto e um tanto grisalho. Por frações de segundo, questionei-me de quem seria ele. Mas uma certeza se instalou em mim sem razão, apenas por sentimento. Ele sabia muito bem quem eu era. Sua voz me foi inconfundível ao sibilar um oi. Sem forças nos pés, fui ao encontro de seu abraço. O único que eu tive em toda minha vida.

"... e os objetos de sua lembrança."
Meu ritual favorito aos 8 anos era, com um tempo livre na casa dos meus avós paternos, abrir o armário do quarto de meu avô e dedilhar o antigo violão do meu pai, tinha até uma pequena placa no braço do instrumento com o nome dele. Eu tocava em suas cordas desejando conhecê-lo, saber fazer o mesmo que meu pai. Ao mesmo tempo, tentava invocar seu espírito musical presente naquela madeira velha.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Meio Termo — Extra — O Fim

Ela surge novamente no Meio Termo como se aquele diz não existisse mais. Pois, tecnicamente, tudo não passou de uma grande mentira.
Pede um chá de maçã, um aroma suave. Enquanto ela o aprecia, nota que volta a pensar nele. Ela saboreia o líquido doce, se lembra do beijo que ele poderia ter dado.
A xícara branca se esvazia no meio de sensações e oportunidades. Ela pede, igual ao daquela outra tarde, uma torta de chocolate. Ela gosta de lembrá-lo.
Enquanto o doce derrete em sua boca, imagina ele sentando-se ao seu lado, sussurrando em seu ouvido tudo o que ela gosta de ouvir, e beija seu pescoço de uma maneira intensa.
Acorda daquele doce devaneio e se depara com ele. À sua frente, encarando seus olhos que brilham. E ela nota que ele é apenas uma abstinência de sonho.

Chá de maçã não deixa de ser outro vício meu(neste caso, não de bebida, mas de escrever).

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Meio Termo Café — Extra — O Início

Um café serve para pensar nas coisas. Sentar e tentar substituir o cheiro dele de ontem a noite pelo aroma marcante do café.
Ela se senta e pede uma torta de chocolate para acompanhar o café. Se serve do guardanapo para apagar as lágrimas dos olhos.
Aquelas lembranças ruins impregnavam a alma dela. Cada palavra que a machucou. Mas ela se lembra do telefonema, e se acalma comendo a torta.
O café a acorda daquele pesadelo. O riso dele a marcou(assim como uma boca após comer brigadeiro) e as palavras a consumiram(como a tristeza de um corpo após um banho de chuva).
Não consegue se esquecer do cheiro dele, do azul do lado e do gosto do chocolate derretido. Ele fez ela rir tanto, a fez tão feliz. Não entendia porque a outra a fez sofrer tanto.
Crente, tomava o café, tudo iria melhorar. Naquela tarde divertida de verão, ela foi feliz; mas na noite, ela chorou.


Escrevi isso há quase dois anos, quando passava por momentos ruins, como vocês podem observar. Há alguns anos que o café entrou na minha lista de melhores amigos eternos. Sem ele, não há porque sair da cama todas as manhãs.
Vocês vão cansar de ler sobre café. Faço isso como uma forma de bom presságio.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Orgulho, preconceito, razão e, principalnte, sensibilidade

O café fez parte de nossa história. Quando nós terminamos, eu sabia que era só voltar no mesmo lugar e sentar na mesma mesa, então eu lembraria de cada momento ali juntos. Ás vezes lembrava de outras ocasiões fora dali, principalmente as mais marcantes e palpitantes. Aquela cafeteria tornou-se o meu templo de nostalgia, apesar de sempre escrever novas histórias quando ia lá.
Completando um ano que nos conhecemos, fomos tomar um café, depois de tantos meses. O pedido foi o mesmo — ele, espresso; eu, cappuccino — e nossas vozes também. Em cada parte perfeita do olho claro, da pele macia, do cabelo desgrenhado, da roupa colorida e do sorriso sincero, não notei mudança, ele era praticamente o mesmo. Eu, nem tanto; meu cabelo havia mudado, minha pele começara a ficar sem imperfeições, minha cabeça e tudo o que se passava nela... eram irreconhecíveis.
Apesar disso, olhar para ele foi totalmente novo. Ver a mesma pessoa numa situação tão diferente! Ele estava mudando de cidade e, naquele momento, não tive medo. Uma pessoa que eu queria tanto ter ao meu lado, mas já havia a perdido. Ou melhor, nos perdemos. Ele confessou ter ciúmes de mim, ainda. Do que adianta um continuar querendo o outro se ambos não tinham coragem de se redimir?
É uma estupidez moderna ter esse orgulho se sobrepondo ao amor. Agora há regras! Quem deve ligar no dia seguinte é ele, quem deve se fazer de difícil é ela e quem não segue essas regras, caia fora, é apenas uma pessoa querendo viver.
Eu deveria parar de chorar por essa vontade e esquecer isso, deixá-lo ir e nunca mais vê-lo. Eu devo, sim, eu devo. Mas não vou.
Pessoas que são puro sentimento não conseguem se adaptar à sociedade. Quando tentam, sofrem. Quando não tentam, são vistos pelos outros, os racionais, como loucos, obsessivos e tapados. Como se livrar do desespero dos dois lados? Ser contaminado por regras gera mais sufoco. Pessoas que são puro sentimento só estarão em paz quando amarem outra pessoa que é puro sentimento.



Temos a arte para que a verdade não nos destrua
Nietzsche

domingo, 2 de agosto de 2009

O Retorno


Eu lembro que quando eu coloquei essa foto no álbum do orkut e um monte de gente comentou. Eu nuca entendi muito bem o porque. Mas a foto é legal.
Foto tirada em 2006

sábado, 1 de agosto de 2009

Homenagem


Uma das maiores certezas da minha vida é que eu sempre poderei contar contigo.
Feliz 53 anos, pai!
Te amo!

Crédito de imagem: Ney Hoffman
(Pai e colegas da FAU)

Piano

Eu passava naquela rua quase todos os dias, da casa de portão branco sempre saia um som de piano, eu lembrava do meu amigo, era a única pessoa que sabia tocar o instrumento. Nos últimos tempos continuei passando naquela rua, mas nunca mais ouvi o piano. Não vejo meu amigo faz um mês e não temos uma boa conversa há um ano. Semana passada me disseram que ele estava internado no hospital com bronquite, pneumonia ou água no pulmão, não sei, apenas sei que o estado é grave.
Hoje eu passei em frente a casa de portão branco, ouvi o piano sendo tocado. Mas estava diferente, parecia que as mãos que produziam aquela música não conhecia as teclas tão bem. Imaginei que, de alguma forma, aqueles erros tivesses relação direta com meu amigo. Eu tinha certeza que ele vacilou em algum momento para estar naquela cama de hospital.