sábado, 17 de outubro de 2009

Sonhos bobos

Cada um se sentou de um lado da mesinha quadrada, pedimos dois milkshakes de chocolate. Eu falava do novo livro que estava lendo, mas ele nem parecia estar muito atento. Não aparentava estar com problemas, era totalmente o oposto. O garçom nos serviu, fiquei surpresa vir tão rápido.
—Você tá com uma cara de quem tá de love — eu comentei, sem pensar.
—De love? — me olhou com uma expressão estranha.
—É, apaixonado. Ou saindo com alguém.
—Sim, estou saindo com você neste momento — piadinha infame, eu ri para não ficar chato.
—Falo sério...
—Sim — ele corou.
—Opa! — aquilo me animou, fofoca! — Quem é a felizarda?
—Você.
Eu ri de novo, tomei um gole do milkshake e sua expressão séria me fez engasgar. Olhei para ele, totalmente muda. Ele só podia estar brincando.
—É sério! - reafirmou.
Ele se levantou, colocou sua cadeira do lado da minha e sentou-se nela novamente. Tocou meu rosto com a mão, me fitou enquanto seus lábios se aproximavam dos meus. Ele me beijou. Sua boca pressionava a minha. Quando me dei por mim, estava apenas sonhando.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Pequenos Momentos, Grandes Prazeres

Minhas obrigações diárias são: ir para a escola, dar comida para as minhas três cachorras, estudar e lavar a louça. Parece, e são, coisas chatas, mas com um pouco de força de vontade eu consigo mudar tudo.
No ônibus a caminho da escola, eu adoro olhar o céu azul e puro. Sempre coço a barriga das minhas meninas(ou melhor, cachorras) quando elas pedem com aquelas carinhas super fofas. Estudar combina totalmente com amigas, então, quando não podemos nos reunir pessoalmente, temos os melhores plantões de dúvidas via MSN.
E, a minha favorita, lavar louça ouvindo, cantando e dançando as melhores músicas dos anos oitenta no volume máximo do rádio! Mas, como todo prazer da vida, só tenho coragem de fazê-lo poucas vezes, quando não tem gente em casa!



Texto para a Revista Capricho

domingo, 11 de outubro de 2009

Sweet twenty-five!

Era ele. Aquele bigode e aquele cabelo eram reconhecíveis há quilometros, mesmo que ele estivesse em Belo Horizonte e eu em Amparo. Andei em sua direção e então lhe dei um abraço. Como sempre, um daqueles bem apertados, como se não nos víssemos há anos(mas eram apenas uns dois meses). Não pude deixar de rir ao ver seu novo visual, muito a cara dele como sempre. Tentando dar um tom mais sério ao encontro, eu disse, sincera:
-Feliz aniversário, bro!


Sinta-se abraçado, brother! Feliz aniversário!!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O dia da tempestade

Eu andava pela calçada multicolorida vendo as nuvens cinzas e baixas ameaçando uma tempestade, mas como o céu estava há horas naquela indecição, não liguei e encarei o exercício. Anotava a paisagem na minha retina, até que a primeira garoa irregular caiu. Novamente, ignorei. Me provocando, começou a chuva.
Desisti e saí correndo em direção à loja de materiais de construção, me escondi debaixo do toldo. Então a chuva aumentou. Várias pessoas pararam ali também, outras se acumularam no ponto de ônibus. O vento trouxe até nós algumas gotas d'água.
Assim como veio, de repente virou apenas uma garoa grossa. Quatro garotas passaram na minha frente e enfrentaram o céu nu, rindo e sem ligar para as poças d´água. A primeira coisa que reparei foi a roupa, duas usavam short e as outras bermuda. Depois a minha inveja.
Porque eu fui caminhar sozinha? Porque eu simplesmente não podia ter amigas assim para me acompanhar? Passei sozinha por tantas coisas, só queria alguém para mudar isso. Reparei que eu sempre andava só pela cidade. O que estava divertindo, depois da chuva virou uma aungústia desmedida.